The Witcher – Crítica da 4.ª temporada
| 30 Out, 2025
6.15

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A 4.ª temporada de The Witcher da Netflix é, na sua maior parte, aborrecida. Não é só aborrecida, mas esse é o adjetivo que melhor a define. Não chega ao nível sólido e consistente das duas primeiras temporadas, mas também não é um desastre completo como a terceira. Fica ali naquele limbo e isso às vezes é pior do que ser verdadeiramente má, porque pelo menos o mau deixa marca. Aqui, simplesmente passa.

Há quem diga que o Liam Hemsworth é o grande problema. Não é. É parte dele, sim, mas está longe de ser a razão principal para uma temporada tão morna. Já se sabia que seria quase impossível igualar o trabalho de Henry Cavill, que encaixava visual e emocionalmente na personagem de Geralt de Rivia. Hemsworth tem menos carisma, menos presença e menos peso dramático. Até tenta justificar-se com a ideia de que o Geralt desta temporada está mais emocional, mais humano e mais ligado aos sentimentos, mas faltam aqueles grunhidos icónicos, o sarcasmo seco e a expressão de frete do Cavill que diziam mais do que muitas falas. Ainda assim, para ser justo, as sequências e coreografias de luta continuam muito boas e Hemsworth aguenta-se bem nelas. Nesse aspeto, a série mantém competência.

Mas o problema central não está no novo Geralt. Está no argumento. A história é um emaranhado pouco inspirado, sem ritmo e cheio de desvios que não levam a lado nenhum. As personagens parecem andar para trás. A Netflix quis fazer aqui uma espécie de soft reboot, voltando a focar-se nos conflitos internos de Geralt, Yennefer (Anya Chalotra) e Ciri (Freya Allan), como se fosse um regresso às origens. Mas isso só funcionaria se estivéssemos a voltar à primeira temporada, quando as relações ainda estavam a ser construídas. Agora, depois de tudo o que foi vivido e destruído na terceira temporada, esta tentativa soa a artificial, quase preguiçosa. A química entre as personagens perdeu força e, em muitos momentos, parece que cada um está numa série diferente. Até as interações entre Geralt e Jaskier (Joey Batey), que eram um dos pontos altos das temporadas anteriores pelas suas personalidades tão opostas, perderam aqui vigor e piada.

A própria dinâmica dos episódios e dos seus enredos episódicos fez-me lembrar séries como Hércules e Xena, clássicos dos anos 90: monstros da semana, missões paralelas e aventuras mais leves. A diferença é que The Witcher quer ser mais sério do que isso. Resulta numa coisa estranha, nem carne nem peixe: visualmente trabalhada, mas com alma pobre. É como se tentassem fazer uma Irmandade do Anel mas acabassem com algo mais ao estilo Rebel Moon: épico só no aspeto, porque na substância não passa de clichés e diálogos vazios. Eu não joguei especificamente estes títulos da saga, mas conheço bem o género, e embora esta abordagem funcione num videojogo, onde a ação episódica e as missões paralelas fazem sentido, numa série de televisão exige-se mais profundidade narrativa. E o pior é que já vimos The Witcher fazer isso, melhor do que isto portanto.

No meio disto tudo, a série continua a ser competente visualmente. Os valores de produção são altos, os cenários e efeitos estão no ponto e é tudo esteticamente apelativo. Não há como negar. Mas falta história, falta densidade, falta impacto. Esta quarta temporada sofre da típica síndrome de penúltima temporada: episódios de transição que só servem para preparar o tal grande final, deixando sempre a sensação de que o melhor “vem aí”.

Em suma, The Witcher continua a ter potencial, mas está presa numa crise de identidade. Nem totalmente má, nem verdadeiramente boa. Apenas mediana, e isso não sei se é melhor ou pior que dizer que está má.

Todos os episódios da 4.ª temporada de The Witcher já se encontram disponíveis na Netflix, juntamente com as três temporadas anteriores. De recordar que a série já confirmou que vai terminar na 5.ª temporada. Adicionalmente, o serviço lançou o filme The Rats: A Witcher Tale com a indicação para ver depois da 4.ª temporada.

Melhor episódio:

Episódio 6 – The End of the Line – O melhor episódio da temporada é claramente este porque se foca no arco na Yennefer, atinge aqui o seu pico dramático e emocional, com a melhor sequência de ação e carga narrativa de toda a temporada.

Personagem de destaque:

Yennefer (Anya Chalotra) – A Yennefer sai como o melhor personagem da série e nesta temporada isso torna-se ainda mais evidente. O arco é o mais maduro e emocionalmente consistente, é a personagem que mais tem a perder e as suas ações são as mais coerentes.

The Witcher - Crítica da 4.ª Temporada
Temporada: 4
Nº Episódios: 8
6.15
6.5
Interpretação
5
Argumento
7
Realização
6
Banda Sonora

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