A nova temporada de The Diplomat (A Diplomata) já chegou à Netflix e veio, mais uma vez, embrulhada nas habituais voltas, reviravoltas e intrigas que a série tão bem sabe construir. A verdade é que começou com força. O arranque vem embalado por um excelente cliffhanger do final da 2.ª temporada e deixa a sensação de que vamos finalmente sair do ciclo repetitivo das temporadas anteriores. Os primeiros episódios prometem ousadia, riscos narrativos e uma mudança de jogo que podia elevar a série a outro nível.
No entanto, ao fim do segundo episódio perde fôlego. Quando parecia prestes a fugir ao tal loop, a temporada recua para terreno seguro e acaba por se encolher no conforto da fórmula já conhecida e isso desilude. Não porque a fórmula não funcione, mas porque já vimos esta série provar que sabe ser mais ambiciosa do que isto. Ainda assim, convém esclarecer que esta temporada está longe de ser má. A série continua muito bem escrita e prova isso com diálogos inteligentes. As manobras políticas são engenhosas, há alguns twists muito bem construídos e o final volta a deixar-nos com aquela revelação que nos faz querer ver mais. E este está particularmente sinistro. Muito bem!
As interpretações mantêm-se bastante elevadas. O elenco é todo muito competente, com atuações afinadas e uma química muito boa, mesmo quando as relações entram em autodestruição diplomática com a delicadeza de um elefante numa loja de porcelanas. Os novos personagens encaixam bem e acrescentam dinamismo à temporada. O humor continua no ponto certo, discreto e sarcástico, e desta vez muitas das melhores cenas cómicas surgem precisamente nas situações mais banais. As refeições são um exemplo perfeito disso, porque sempre que a diplomacia se senta à mesa, o caos instala-se e saem alguns dos momentos mais engraçados e inesperados da temporada. Entre jogos de poder servidos com talheres de prata, conversas tensas interrompidas por pratos gourmet e silêncios que dizem mais do que discursos oficiais, as cenas à mesa revelam mais sobre as personagens do que muitas reuniões.
O que menos convence é talvez a forma como o argumento, por vezes, tira protagonismo à embaixadora (Keri Russel) para o entregar aos homens que a rodeiam e nem sempre isso serve a história. Algumas contradições no comportamento dela fazem sentido, ninguém é perfeito, mas há momentos em que parece cair numa autoculpa exagerada enquanto outros personagens escapam com muito menos pedidos de desculpa. Não é grave, mas tira-lhe alguma força. E relativamente ao plot em si, podiam ser mais inventivos também, pois todas as séries deste género acabam por ser: americanos contra russos ou chineses. Nesta, por acaso, têm os britânicos pelo meio, mas perde-se algo por se tornar repetitiva, tanto dentro de si própria como no panorama do género em geral.
Em resumo, é mais uma temporada sólida de The Diplomat. Talvez não tão boa como as anteriores, porque a novidade já se perdeu um pouco e faltou refrescar a fórmula. Ainda assim, continua a ser uma série envolvente, com personagens interessantes, antigos e novos, e altamente viciante, daquelas que começamos a ver só um episódio e de repente já é de madrugada e estamos a reconsiderar toda a geopolítica mundial. Apostou, por um lado, num manter de registo, mas dentro disso até foi mais audaz no comportamento imprevisível dos personagens, o que acabou por equilibrar a balança.
Espero apenas que The Diplomat, que já foi renovada pela Netflix para uma 4.ª temporada, arrisque mais e, pelo modo como terminou, parece-me que sim, que vai, talvez, haver menos diplomacia e mais guerra.
Todas as três temporadas já se encontram disponíveis na Netflix.
Melhor episódio:
Episódio 1 – Emperor Dead – O melhor episódio da temporada foi sem dúvida o primeiro, com ritmo rápido e tudo a explodir logo a seguir à bomba com que terminou a 2.ª temporada. Teve impacto, energia e, sobretudo, a promessa de algo diferente, fresco e mais ousado do que aquilo que veio depois.
Personagem de destaque:
Grace Penn (Alisson Janney) – A personagem que mais se destacou esta temporada foi a Presidente, que finalmente deixou de ser tratada como vilã bidimensional para ganhar verdadeira profundidade. Foi interessante acompanhar a evolução dela, perceber as suas motivações e ver que as decisões políticas que toma têm um peso emocional e humano. Também funcionou muito bem a relação com o marido, que aqui assume quase o papel de primeira-dama, criando uma inversão de papéis tradicional que trouxe humor e mais complexidade à narrativa.