Inspirada no livro The Pink Marine, de Greg Cope White, a série Boots (Jovens Recrutas) estreou a semana passada na Netflix. O primeiro episódio é uma aventura barulhenta, às vezes assustadora, às vezes empoderada, que nos leva por dentro do Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. A trama tem lugar no ano de 1990 e centra-se num jovem recruta gay, Cameron Cope (Miles Heizer), numa altura em que a homossexualidade era ilegal nas forças armadas.
The Pink Marine consegue dar-nos uma boa ideia do quão dura é uma recruta. Os superiores sempre aos berros, tudo é feito a correr e sob pressão ao mesmo tempo que é exigido rigor e são proferidos insultos. A série consegue transmitir bem um pouco do que aqueles jovens estão a passar. Só que também se consegue entrever um certo sentido de camaradagem e de união. É suposto serem uma família, certo? É suposto ser duro, mas a lição é que vão sobreviver e tornar-se versões melhores das pessoas que são. Alguns daqueles homens e rapazes vão para ali à procura de estrutura, outros querem encontrar um sentimento de pertença, alguns estão só a seguir as pisadas da família, mas, de uma maneira ou de outra, todos querem o mesmo: descobrir o seu lugar no mundo.
Há cenas que são difíceis de digerir. Parece tudo tão bruto, tão agressivo! É suposto, eu sei, mas ainda assim não se torna mais fácil. No entanto, o primeiro episódio de Boots faz precisamente o que é suposto acontecer numa série: fazer-nos sentir coisas. É impossível ficar indiferente à história que nos está a ser contada e começa-se imediatamente a torcer por uma série de personagens. O próprio Cameron, claro, mas também o rapaz mais gordinho, o tipo simpático que casou há pouco tempo… Boots aborda ainda o tema do racismo de uma forma sem filtros. Há ainda o bónus de ser uma série que não faz em nada lembrar-me de alguma outra que já tenha visto, o que é raro no panorama atual em que há tantas fórmulas gastas. Vera Farmiga no elenco também é sempre um grande ponto a favor.