Estreou esta semana na Netflix a comédia de animação Long Story Short, de Raphael Bob-Waksberg, o criador de BoJack Horseman, série que nunca vi. A animação está, aliás, longe de ser um dos géneros de que mais gosto, apesar de ter havido uma altura em que acompanhava The Simpsons religiosamente.
A trama centra-se numa família judia da classe média, com especial foco nos três filhos do casal, em diferentes fases da vida, e o episódio até começa de forma bastante promissora. Temos uma cena com os miúdos e os pais no carro depois de ter havido uma morte na família e os diálogos são bastante engraçados, com os putos a embirrarem uns com os outros, a mãe a ser dramática e o pai, coitado, a ser um paz de alma. Só que depois passamos para o ano de 2004, onde se passa a trama principal do episódio: o bar mitzvah de Yoshi, o caçula da família. Ah, mas antes disso ainda conhecemos a namorada do irmão mais velho. Que, se for esperta, foge a sete pés daquela família de gente doida. Ainda nem acredito que não reconheci a voz de Lisa Edelstein como matriarca dos Schwooper, mas há no elenco vários outros nomes bem famosos.
No entanto, se o episódio começou bem, depressa me desiludiu. Estás a ver quando estás num sítio onde as pessoas não se calam por um segundo que seja e falam umas por cima das outras e a coisa se torna tão irritante que só queres sair dali? Foi exatamente com esse sentimento que terminei o episódio. Personagens barulhentos, inconvenientes, exagerados até mais não. Acredito que seja propositado, mas talvez tenham ido um bocado longe de mais a representar uma família barulhenta e dramática. Isso distrai da história e acho que o salto narrativo também não ajudou. Porque eu gostei da dinâmica familiar dos miúdos quando eram pequenos. Agora que estão todos mais velhos, a piada perdeu-se.