Estreou ontem na Netflix a minissérie britânica Hostage (Refém), um thriller que conta com Suranne Jones e Julie Delpy nos principais papéis. E que dupla esta!
Jones interpreta a recentemente eleita primeira-ministra britânica, Abigail Dalton, que lida com uma forte oposição numa altura em que o Reino Unido enfrenta várias dificuldades. Delpy dá vida à presidente francesa, Vivienne Toussaint, que procura a reeleição. Ela é alguém que parece ter tudo sob controlo e que se mostra uma líder forte. No entanto, Toussaint também é vista por alguns como uma presidente demasiado disposta a apertar a mão à extrema-direita, num grande desvio da pessoa que era politicamente quando começou. A relativa inexperiência de Dalton e a segura liderança de Toussaint oferece um contraste muito interessante entre estas duas mulheres que não gostam nada uma da outra, mas têm de fazer o jogo da diplomacia. A química entre as atrizes, no entanto, é incrível, o que não é nada surpreendente, dado o talento de ambas.
A rivalidade entre Reino Unido e França é conhecida, tem séculos e é aqui revitalizada numa história atual que não nos faz esquecer que as duas nações são também históricas aliadas. É possível ser as duas coisas ao mesmo tempo e Hostage prova-o. Só que em vez de lidarmos com egos masculinos, temos duas mulheres fortes ao leme de países com extrema importância no panorama mundial. A Dalton de Jones tem um bocadinho mais de coração do que a fria Toussaint de Delpy. Irónico, não é? No entanto, as duas terão que tentar colocar de lado as diferenças em benefício dos seus países, mas também para resgatar o marido de Abigail, que foi raptado no exercício do seu trabalho com os Médicos sem Fronteiras precisamente numa altura que coincide com a visita da presidente francesa a Londres.
Hostage é uma daquelas séries que agarra do primeiro ao último segundo, com uma trama envolvente cheia de elementos de interesse, elevada por interpretações muito sólidas por parte das protagonistas e que faz imediatamente querer ver os episódios seguintes. É impossível não querer saber como tudo se vai resolver, mas também estou ansiosa por perceber se estas duas mulheres serão apenas líderes mundiais a braços com questões impossíveis ou se poderão aprender a confiar e a apoiar-se uma na outra.