Classificação

9.5
Interpretação
8.5
Argumento
9.5
Realização
8.5
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Esta semana avançámos para a segunda parte desta trilogia que encaixou na perfeição na sequência anterior. Depois de ver o que nos reservaram com Kevin, o quadro desta combinação ficou mais completo com apenas uma porção por colorir, a parte de Kate, mas adoro já, a ligação que fizeram entre episódios, resultando num grande episódio orgânico de 120 minutos que veria de seguida de bom grado.

Se não estou em erro, pela primeira vez This Is Us mostrou-nos cenas duplicadas. Revimos momentos que já tínhamos assistidos, tal como as conversas entre Kevin e Randall do episódio anterior ou a ida de Kevin e Sophie a um aniversário de Rebecca de há umas semanas atrás. Mas fê-lo com um propósito evidente, dar-nos contextos e outras perspectivas para termos todos os detalhes e respostas às questões que haviam ficado no ar.

Foi um episódio sólido, que retratou um tema pesado, o luto, mas de certo modo com uma mensagem positiva de que depois de se ultrapassar a dor mais excruciante do imediato, as memórias felizes falam mais alto e confortam-nos, preenchendo algum do vazio marcado pela saudade. Vemos Kevin que passou por um luto muito complicado, na sua adolescência, tendo perdido a sua grande referência, numa fase de maturidade que lhe permite lidar com essa mágoa do melhor modo possível, conseguindo retornar aos lugares que o recordam da perda e conseguir ver para alem da tristeza, focando-se no que há de bom para lembrar.  E no passado, as cenas levaram-nos mesmo ao dia da perda dessa referência dando-nos a conhecer onde estava e o que estava a fazer Kevin quando tudo aconteceu.

Com donuts e piadas, Kevin e Sophie conseguiram transformar um dia de luto num momento de muito carinho, amizade e respeito entre duas pessoas com uma grande história entre eles. E fiquei contente por não ter ido mais além, porque apesar de concordar que ambos são o grande amor da vida um do outro, e que essa porta nunca ficou bem fechada, qualquer escape físico entre os dois nesta fase seria incoerente, oportunista e difícil de compreender. Por outro lado, o envolvimento com Madison parece-me a mim mais um episódio casual, sem significado nenhum e que quanto a mim, totalmente dispensável.

Ressalvar o esforço que a série tem feito para dar realismo à carreira cinematográfica de Kevin com a inclusão de personalidades “reais” do cinema, em cena: depois de Ron Howard e de Sylvester Stallone, tivemos desta vez a oportunidade de ver M. Night Shyalaman. Por outro lado, esta trilogia tem feito referência a grandes clássicos do cinema e depois de The Shining na semana anterior, desta feita tivemos The Good Will Hunting e adorei a maneira como utilizaram o filme. Este filme serviu como elo de ligação entre Kevin e Sophie, que não tendo conseguido ver o final na sua adolescência devido a uma falha técnica, prometeram nunca assistir o final e deixá-lo aberto à sua imaginação.

Foi sem dúvida mais um excelente episódio, muito bem encadeado com o anterior e já com o próximo, como uma linha de montagem perfeita, introduzindo e concluindo com cenas da primeira noite que os três irmãos dormiram em camas separadas e precisaram do consolo do pai Jack para superar esse desafio! E ficámos com a promessa de ter mais uma reunião dos três irmãos no presente para lidarem juntos com esta semana infernal!

André Borrego