Classificação

9
Interpretação
8.5
Argumento
8.5
Realização
9.5
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Lights and Shadows trouxe de volta This Is Us para reforçar o panorama de séries no ativo no momento. E foi um episódio com um pouco de tudo: saúde, romance e casamento foram os pratos fortes do dia com destaque para uma participação musical muito especial, revelações fortes sobre suspeitas já presentes e um final que nos deixa a todos em suspense autêntico.

Começando por comentar o núcleo que dá o nome ao episódio: Kate, Toby e o seu pequeno Jack, que parece reagir ao estímulo de “luzes e sombras”. Este casal foi em tempos a lufada de ar fresco nesta série, os quarentões bem-dispostos e apaixonados e os encargos de comédia passavam muito por eles. Não estamos nessa fase agora, isso é claro. Os argumentistas da série escreveram para eles uma vida repleta de desafios. E se um casamento já pode ser um desafio de compromisso, respeito, tolerância, o que dizer quando se junta na equação um filho com necessidades especiais em virtude da sua deficiência visual, sendo que não podemos descurar os problemas de gestão de peso, sobretudo de Kate, e o histórico de depressão de Toby. Acho que não há certos nem errados nesta história, ambos cometem erros, mas gostaria que os ultrapassassem juntos, algo em que as cenas futuras já colocaram alguns pontos de interrogação em cima. De qualquer modo, este episódio, depois de vários altos e baixos e confrontações, terminou com um sentimento de esperança vindo desta evolução do pequeno Jack face às “luzes e sombras”.

E mais uma vez o meu reconhecimento para This Is Us por demonstrar esta capacidade de regressar a pontos específicos no tempo onde já estivemos alguns episódios atrás e continuar justamente onde ficámos, como aconteceu esta semana com Jack e Rebecca no seguimento do dia no campo de golfe. Confesso que adoro a visão do amor de Rebecca em detrimento da visão da sua mãe. E gosto do romantismo clássico de Jack, de Rebecca e no qual Kevin também quer acreditar.

Chamem-lhe cliché, chamem-lhe lugar-comum, mas “amor à primeira vista” é sempre um produto cinematográfico interessante. E com tudo o que Kevin já passou, estava a gostar do rumo dos acontecimentos. Quem se pode gabar de ter John Legend ao vivo e em particular num primeiro encontro? Genial a parceria entre a série e o cantor, que dá sem dúvida destaque a este episódio, mas serve também para John Legend promover uma nova e bonita canção. Escusado será dizer que o resultado de tudo isto foi uma verdadeira desilusão para mim. Mas estou certo que o universo está a guardar algo de melhor e maior para Kevin Pearson.

E, por fim, o núcleo com avanços mais relevantes neste episódio: Miguel, Rebecca e Randall juntos em torno da preocupação acerca dos recentes problemas de memória de Rebecca. Aqui gostaria de destacar apenas a importância do tema trazido pela série e bem patente na discussão de Miguel e Randall: a casmurrice  dos velhotes ou simplesmente a dificuldade em aceitarem que podem ter um problema e que precisam de ajuda quando é demasiado evidente. O futuro adivinha-se também aqui como um grande desafio, mas com a certeza de que o caminho a percorrer é para ser feito em família, unidos e passo a passo.

Em suma, foi um bom regresso, visitamos cada casa, em todas elas houve avanços significativos, discutiram-se visões de amor, romance e casamento, sensibilizou-se para a necessidade de dar atenção aos sinais que a saúde nos dá e acabou ainda com um momento de tensão que nos deve deixar a todos ansiosos e ao mesmo tempo sobressaltados com o que a próxima semana poderá trazer.

André Borrego