Classificação

9.5
Interpretação
9.2
Argumento
9.2
Realização
9
Banda Sonora

Contém spoilers!

O episódio desta semana de This Is Us foi poderoso, puxou imenso ao sentimento e emocionou-me mais do que uma vez, tal como nos tempos iniciais, e entre desculpas e redenções, tivemos mais um excelente episódio.

Começou logo com um simples, mas encantador “cartão-de-visita” com uma analogia tão clara, para expressar a harmonia da equipa, da dupla, e o desequilíbrio quando a dupla é desfeita: foi conseguido com um lençol e o ato rotineiro de um casal fazer um cama em conjunto, cada um puxando do seu lado para ser mais rápido – revejo-me tanto aqui. Mas de repente Rebecca não tinha mais a sua outra metade que puxava do outro lado e o processo deixava de funcionar.

Do núcleo Nick-Kevin-Cassidy veio um dos momentos altos do episódio e um face à qual dificilmente alguém poderia não ficar comovido: o discurso de Nick na audiência do seu caso, em tribunal, revelou um reconciliar consigo próprio. Kevin e Cassidy conseguiram ao fim de 40 anos que Nick desse uma segunda oportunidade à sua vida, permitindo a aproximação de quem lhe quer bem e abrindo o seu coração para eles. Simultaneamente terá sido uma redenção de Kevin que se desculpou indiretamente dos seus erros com Jack, que não podendo corrigir com o pai, pôde amenizar com esta grande vitória pessoal, com o seu tio.

Cassidy parece estar também a reconstruir as peças do puzzle da sua vida. Desconhecemos ainda o que significará aquela permissão para se juntar a jantar com o ex-marido e o filho, mas poderá ser um indicador de reconciliação. Se não o for, é mais um passo no processo cauteloso dos argumentistas, de, depois de uma “one night stand” desastrada, não queimar etapas para a construção de um futuro relacionamento com Kevin. O que é certo é que soubemos no final da temporada passada que Kevin tinha um filho, esse filho tem de ter uma mãe e Cassidy parece-me uma excelente opção, assim tinha a sua vida passada bem resolvida.

O que me comoveu mais neste episódio veio da dinâmica Rebecca-Randall em dois momentos distintos: é verdade que tivemos uma super Rebecca a segurar o barco no momento que se seguiu à perda de Jack, mas não é menos verdade que, enquanto Kevin e Kate estavam mais focados na sua vida amorosa, Randall foi um pilar crucial para Rebecca – adorei a cena em que Randall entrou pela sala de entrevista da mãe e foi o mais honesto possível com o recrutador para mostrar a Rebecca que ele via e conseguindo o emprego para a mãe, quando as hipóteses pareciam diminutas.

Já no presente, Randall tem um discurso emocionado e pleno de preocupação face à condição da sua mãe. Se não tivéssemos assistido ao final da temporada passada, consideraríamos esta reação à perda do telemóvel completamente exagerada – eu passo a vida a não saber onde larguei o meu, mas com todos os detalhes que temos, percebemos que This Is Us balizou neste episódio o princípio do declínio da função cognitiva de Rebecca e o desenvolvimento da sua doença mental. É o ciclo natural da vida chegar um ponto em que, face às dificuldades inerente à idade dos pais, há uma inversão de papéis e os filhos passam a ter a missão de cuidar dos pais e retribuir o amor recebido. Randall sente que esse momento está a chegar e a própria doença de Rebecca poderá toldar-lhe o julgamento e daí toda a agressividade face à preocupação do filho. De qualquer modo, acho que o Randall do presente várias vezes tem uma boca demasiado grande e nem sempre mede o que diz – nomeadamente quando sugere que há muito tempo que essa inversão ocorreu. Com isso não posso concordar, porque apesar de reconhecer a importância de Randall no pós-Jack, já tivemos imensas provas de uma enorme mulher que renasceu das cinzas por si própria.

O humor do episódio esteve a cargo de Beth que foi uma “polícia” implacável na sua marcação cerrada face ao encontro supervisionado de Deja e Malik e daqui se estendeu a passadeira vermelha para um episódio de Thanksgiving da próxima semana que, no mínimo, promete face aos elementos que pretende juntar debaixo do mesmo teto.

Sorry marcou o meio desta 4.ª temporada e so far so good. This Is Us está bem e recomenda-se. Venha de lá esse Dia de Ação de Graças, que pelos três exemplares que já assistimos nas temporadas passadas nos pode deixar de expectativas em alta para a próxima semana.

André Borrego