Classificação

8.5
Interpretação
8
Argumento
8.5
Realização
8
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Temporada: 2

Número de episódios: 5

Lupin está de regresso ao pequeno ecrã através da Netflix, hoje, com uma parte 2 que, muito ao estilo da primeira, dá seguimento à história onde esta tinha ficado, após o desaparecimento de Raoul. Fiel a si mesmo, Lupin continua a oferecer mistério, suspense e tudo aquilo de que os fãs de personagens como Sherlock Holmes, Poirot e o próprio Lupin gostam. Todos os episódios forneceram aquele pequeno twist, das jogadas de Diop, que conquistou o público em janeiro. Em suma, Lupin desiludiu as altas expectativas que tinha criado. Assane, interpretado pelo brilhante Omar Sy, continua a agarrar-nos ao ecrã numa interpretação soberba, digna de honrar a de Benedict Cumberbatch como Sherlock.

Assane Diop continua a sua luta contra Pellegrini em várias frentes: primeiro para salvar a sua família, depois para provar a inocência do seu pai e, por último, provar a sua própria inocência. O primeiro episódio dá seguimento ao destino de Raoul após ter sido raptado por um dos lacaios de Pellegrini. Este episódio mostra o lado sufocante de não saber onde está um dos membros da sua família e obriga Diop a conseguir ser frio no seu planeamento enquanto procura resgatar o filho. A melhor parte foi o começo de uma relação de respeito mútuo entre Assane e Guedira, o nosso polícia favorito. O desfecho deste episódio foi sem dúvida surpreendente e um dos pontos altos da série. Não irei entrar em detalhes para não estragar o momento a quem esteja a passar os olhos por esta review sem ver a temporada, mas quem viu sabe ao que me refiro!

Ao longo da temporada vamos tendo momentos mais emocionais, momentos mais mágicos e de adrenalina e momentos mais parados, mas o enredo tem claramente um caminho por onde seguir. Diria que o ponto mais baixo talvez tenha sido o episódio 3 desta segunda parte, mas os motivos rapidamente se tornam obsoletos quando se revela o plano de Assane. Refiro-me ao momento mais de cortejo/namoro entre Assane e Juliette. Parece fora de contexto e pouco consistente com o que Assane nos tem passado de que ainda não conseguiu esquecer bem Claire, mas mal eu pensava nesta crítica a série decidiu pegar nisso e mostrar porque é que tal estava a acontecer. Já que estamos no capítulo dos romances, uma coisa que adoro na série é que não é cliché, no sentido em que há uns anos o normal seria Claire perdoar Assane e largar o seu namorado atual, mas aqui nunca ameaçam que tal possa acontecer. De alguma forma, isso torna a série mais real, mais crua, algo que que se “equilibra” bem com as manobras irrealistas que Assane faz.

Sobre os golpes de Assane acho que não há muito a dizer, é mais do mesmo, no melhor sentido possível: oscilam entre a linha do “isto podia mesmo acontecer, com alguma sorte” e o “claramente isto é para uma série”, mas de uma forma positiva e saudável, onde acabamos por torcer por ele e para que corra tudo bem. A banda sonora aqui tem um papel muito importante, faz-nos sentir a emoção que o personagem deveria estar a sentir; aqui gostaria de destacar dois momentos, quando Assane está nuns túneis numa perseguição e no final, quando cantam uma música em francês que parece ter sido criada mesmo para aquele momento ou para aquele personagem.

As relações de Assane também são mais aprofundadas nesta parte 2 de Lupin. A de Assane e Guedira também evoluiu, como já foi referido, e representa um dos pontos altos da série. Toda a gente gosta de um polícia que luta contra a corrupção do sistema e ainda mais um que gosta de resolver mistérios e não é demasiado apressado a julgar os que persegue. A amizade com Benjamin irei analisar mais tarde na personagem de destaque. Já a relação com Juliette é a que me deixa mais dividido. Sinto que da temporada passada para esta, Juliette perdeu um nadinha de personalidade. Tudo bem que descobrir sobre o seu pai ajuda a que ela fique abalada, mas sinto que lhe foi demasiado fácil confiar e colaborar com Assane, enquanto na temporada passada a sua relação era mais difícil. Talvez isso possa ser justificado pelo seu passado, mas sinto que foi uma coisa pouco explorada.

Por fim, acho que não há muito a dizer sobre o “vilão” Hubert Pellegrini. Para mim, ele atingiu o pico quando, na temporada passada, mandou matar Fabienne e esta temporada foi mais reativo aos ataques de Assane em vez de ter um plano e pô-lo em prática. Surpreendeu-me ligeiramente com a sua tentativa de incriminar Assane por um crime que ele não cometeu, quase uma recriação do que fez com o seu pai. Também não vou entrar em pormenores sobre o golpe final nem como terminam as coisas entre Pellegrini e Assane para não estragar a experiência a quem ainda não viu, mas gostei, acho que foi preparado de uma forma inteligente. Muitas das vezes, em Lupin não é o que acontece que nos surpreende, mas sim como acontece, e esta parte 2 não foi exceção.

Em suma, mais uma bela temporada, que em comparação com a primeira só perde por um único motivo: são muito semelhantes. Se bem que, em certa perspetiva, a capacidade de manter o nível pode ser mais difícil do que fazer uma única temporada excecionalmente boa.

Melhor episódio:

Chapter 10 – Aqui foi um pouco difícil escolher o melhor episódio. Entre o primeiro, o quarto e o quinto, qualquer um deles podia levar o prémio, que não seria injusto, mas acabo por escolher o Chapter 10 por ser o final, sendo que conseguem atar uma série de pontas soltas e deixar tudo embrulhadinho. A continuação de Lupin está confirmada, o que não é surpreendente, tendo em conta como termina esta parte 2, e fico com bastante vontade que chegue rápido. Até gostaria de ver um crossover com Sherlock Holmes!

Personagem de destaque:

Benjamin Ferel (Antouine Gouy) – Obviamente Assane é o melhor personagem da série, mas deixo a distinção para Benjamin pela evolução que teve nesta temporada, começando por ser o ajudante que está no background para passar a ser alguém que tem que fugir à polícia e a assassinos quase em simultâneo. A cena dele a fugir do capanga de Pellegrini no autocarro estava muito realista, ao ponto de estar a deixar-me com alguns sinais de adrenalina. Quando Assane se mete nestas andanças já estamos habituados, mas Benjamin conseguiu dar aquele ar de pessoa normal que de repente se vê envolvida nisto. Também protagoniza um dos momentos mais cómicos da temporada, que é quando devolve o mapa, com juros, à senhora da receção das catacumbas muitos anos depois de o ter pedido emprestado.

Raul Araújo