Wolf Creek – 01×01 – Billabong
| 08 Set, 2016

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Howdy mates!

Antes de iniciar esta review é necessário contextualizar a série em questão. A versão televisiva de Wolf Creek deve a sua autenticidade a Greg McLean, que realizou o filme que definiu Mick Taylor como um dos mais sanguinários assassinos da paisagem australiana de que há memória. Inspirado em factos verídicos, o filme de McLean revolucionou o típico slasher movie através do aproveitamento da câmara independente, rompendo com os clichés típicos de filmes do género norte-americanos. A história não varia muito: um grupo de turistas conhece um aparentemente inofensivo ‘redneck’ das planícies do grande deserto australiano, perto da cratera de Wolf Creek. Claro que Mick é tudo menos inofensivo e assim que começa com as suas piadas de mau gosto, parte logo para uma violência fora de série, seja ela psicológica ou física.

Esta série de seis episódios vai precisamente a mais um destes casos isolados de uma família americana que decide ir passar férias no calor tórrido da Austrália e, através de um pequeno incidente para o qual Mick aparentemente teria dado um contributo positivo, convidam-no para jantar. Obviamente o pior erro que podia ser cometido. A única que fica viva para contar a história é a filha mais velha, Eve, que, ferida e em choque, pouco consegue transmitir à polícia que promete fazer os possíveis para encontrar o presumível homicida.

Em qualquer slasher movie/série, a história nunca é o seu ponto mais forte. Por norma são as personagens que dão um carisma maior a um exercício deste género e Wolf Creek não foge a esta rotina. O que é absolutamente fascinante é precisamente a realização desinibida que tira proveito das paisagens naturais, da quantidade exagerada de sangue e de um protagonista genial chamado John Jarratt. Jarratt encarna Mick Taylor há já alguns anos e, de facto, é uma personagem interessante. Não é um assassino qualquer. É burro, mas não gosta de ser tratado como tal. É pobre, mas pouco lhe interessa o dinheiro. É um abutre que se alimenta das carcaças psicológicas das suas vítimas. É um caçador de porcos (uma praga destruidora australiana) que engloba o ser humano na ponta da sua arma. Como se pode ver, não é propriamente uma personagem fácil e Jarratt é uma figura temível sempre que surge no ecrã.

O posicionamento da câmara também é importante. O constante movimento sem cortes, o aproveitamento da luz natural e o foco dos rostos aumentam a intensidade dos momentos, tirando partido da sabedoria dos cineastas independentes e provando que Hollywood não é o único lugar capaz de criar verdadeiro terror. O desconhecido mistura-se com a ansiedade de aventura. O medo é substituído pelo pânico. O maluco é transformado em carniceiro.

É nestas pequenas coisas que Wolf Creek triunfa e que promete ser um grande desfecho para a história de Mick Taylor.

Jorge Lestre

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