O primeiro episódio de Widow’s Bay, da Apple TV, é uma das coisas mais bizarras que vi nos últimos tempos, a par do filme Weapons, com o qual Amy Madigan venceu o Óscar de Melhor Atriz Secundária este ano. No entanto, esta não é uma característica necessária má, o problema esteve na execução. A série é uma comédia de terror passada numa pequena cidade fictícia, localizada numa ilha, no nordeste americano. Este é um lugar misterioso, com um folclore muito rico e cheio de superstições que parecem absurdas para qualquer pessoa vinda de fora, mas que fazem parte da essência de muitos dos que lá vivem. A premissa agrada-me e até traz alguma promessa, mas não consegui gostar do episódio.
Depois de The Beast in Me, Matthew Rhys volta a um papel… esquisito. Não é um adjetivo muito esclarecedor, mas parece-me adequado. Aliás, aqui as personagens são todas bastante exageradas. Seria normal que numa cidadezinha deste género houvesse algumas personalidades peculiares, mas tantas? Estas personagens não parecem pessoas credíveis, os diálogos também encaixam nesse problema e a parte mais interessante – a única, vá – acaba por ser a vinda à ilha de um escritor de viagens de um jornal importante que vai fazer um artigo sobre Widow’s Bay. É claro que fica alguma curiosidade para perceber se aquele lugar está realmente ‘amaldiçoado’ ou se não são mais do que superstições, mas o primeiro episódio está longe de ter conseguido fazer o suficiente para que eu queira continuar a ver Widow’s Bay. Aliás, foram cerca de 40 minutos de episódio que passaram com uma lentidão considerável.
Com um leque de personagens diferentes e um elenco mais cativante talvez a série tivesse funcionado bem para mim. Assim, só a consigo mesmo encaixar na categoria de bizarra. Rhys tem uma carreira respeitável, mas confesso que não é um ator que me encha as medidas.