Classificação

8
Interpretação
8.5
Argumento
8.5
Realização
8
Banda Sonora

[Contém spoilers]

The Tower não poderia ser nunca uma season finale. Por circunstância dos tempos que se vivem, este 15.º capítulo serviu como espécie de final de temporada, mas é claro que a história ficou num ponto suspenso em que tudo se resolveria no próximo episódio. Como tal, só posso avaliá-lo como o penúltimo episódio que é e nesse aspeto cumpriu o seu dever.

Não posso deixar de exprimir o meu desagrado perante a personagem de Yumiko. Já o referi várias vezes nestas reviews e volto a repeti-lo: é uma personagem desnecessária. Quando o seu grupinho apareceu, só Connie me pareceu relevante. Agora já gosto um pouco mais de Kelly. Luke? Passa tão despercebido que me esqueço por completo que Dan Fogler faz parte do elenco. Felizmente Magna parece ter ficado para trás, mas agora somos obrigados a ver Yumiko assumir-se como alguma espécie de líder e dar ordens e tomar decisões sem consultar ninguém. Desde quando é que lhe foi concedido este subir de nível na série?

Posto isto, acho que as cenas de Yumiko, Ezekiel e Eugene com a recém-chegada Princess teriam sido muito mais interessantes se a primeira não tivesse feito parte deste rol. Claro que tinha de haver alguém de pé atrás perante o aparecimento de um potencial novo membro da comunidade, mas poderiam ter escolhido alguém mais interessante! Dei por mim a revirar várias vezes os olhos nas cenas forçadas de Yumiko a ser deliberadamente contra as ações de Princess. Espero que a escolha dos showrunners em colocar Yumiko a liderar estes enviados em busca da nova comunidade não signifique um papel de maior destaque na próxima temporada.

Quanto a Princess só posso dizer que adorei tudo nela. É uma grande lufada de ar fresco num mundo povoado por personagens todas elas muito semelhantes. Creio que nunca tínhamos visto uma excentricidade desta espécie na série e estou muito curiosa por ver o que o futuro lhe reserva. A indumentária, as expressões faciais, os diálogos e monólogos – um conjunto muito bem conseguido. Ah, e claro, o regresso à cidade promete trazer algo muito bom. Já me tinha esquecido que as cidades ainda existem, depois de tantas temporadas passadas no campo. São sempre cenários com muito potencial e que podem introduzir momentos diferentes na série, como foi o caso neste episódio (quem se iria lembrar de colocar minas assim? E a cabeça do cavalo? Nojento, mas muito fixe).

Noutro ponto tivemos a rápida chegada de Beta e da horda a Alexandria e a também rápida fuga dos seus moradores para o que me pareceu um antigo prédio habitacional. Todos estes movimentos pareceram muito repentinos, mas o mais provável é ter decorrido pelo menos um dia e meio entre Beta reunir os walkers e os Alexandrianos fugirem. Não faço a mais pequena ideia das distâncias de todas as localizações, mas calculo que mover centenas ou milhares de walkers não seja coisa que leve meia hora. Talvez se estejam a perguntar como raio é que a comunidade soube que Beta estava a caminho para os destruir. Bom, acho que a resposta é simples: depois de Hilltop, o alvo seria claramente Alexandria. E como se ouve Beta sussurrar quando percebe que o local está deserto, o próximo destino é Oceanside, mas claro que pelo caminho tinha de dar com a localização verdadeira. Isso é que me intrigou. Foi uma lucky guess? E era óbvio que Aaron e Alden seriam apanhados. Só espero que nada lhes aconteça.

Por fim, tivemos dois momentos mais sossegados: Carol e Kelly e Daryl e Judith. Carol conseguiu finalmente pedir desculpa a todos os que magoou no decorrer da sua vendetta. Tal como Kelly disse, também acho que Connie está viva, só não percebi porque ainda não regressou. Talvez tenham algo grande preparado. Quanto a Judith e Daryl, não há relação mais fofinha que a destes dois. Pensei mesmo que ela lhe ia contar das suspeitas de Michonne em relação a Rick. Não sei porque não o fez; queria ver o olhar de esperança em Daryl.

Ah, e ainda houve espaço para um momento Negan. Tenho gostado muito da sua evolução na série. Passou de vilão odiado a anti-herói acarinhado pelos fãs. Pergunto-me se ele se tornará numa espécie de figura paternal para Lydia… Isto se ela não morrer entretanto.

The Walking Dead chega assim a um quase fim de temporada onde tudo fica em aberto e onde as perguntas são mais do que as respostas. Foi uma pena a pós-produção do 16.º episódio não estar terminada para vermos o regresso de Lauren Cohan ao papel de Maggie (atenção: não é spoiler. Já se sabia que a atriz iria aparecer nesta temporada e se não o fez neste episódio só o poderá fazer no próximo), o fim tão ansiado dos Whisperers e a introdução daquela que espero ser a última comunidade que vamos conhecer. Têm sido dez anos de altos e baixos, mas agora que a série se encontra num bom alto, construam um fim para estas personagens na 11.ª temporada, até porque o material original da banda desenhada está mesmo a chegar ao fim.

O que acharam destes 15 episódios? E o que podemos esperar do 16.º? Até ao próximo capítulo!

Beatriz Caetano