Classificação

8.7
Interpretação
8.6
Argumento
8.8
Realização
8.7
Banda Sonora

Contém spoilers!

The Walking Dead chega à mid-season finale de forma esplêndida. O episódio foi de cortar a respiração exatamente no início e no fim, com algumas boas cenas pelo meio. Não foi do melhor que a série já nos deu, especialmente para o último episódio antes da pausa de inverno, mas ainda assim conseguiu cumprir o seu objetivo: o de nos prender ao ecrã e de nos deixar a ansiar pelo próximo episódio que só chegará em fevereiro de 2020.

Para começar devo dizer que senti saudades de Negan (o meu eu de 2016 está neste momento a gritar comigo). Sei que com quatro localidades diferentes (Alexandria, Hilltop, Oceanside e o acampamento dos Whisperers) têm de alternar o foco dos episódios e já há algum tempo que não víamos Michonne, Judith e companhia. Ainda assim, acho que o tempo de antena que dão ao ex-vilão é uma mais valia para a série. Para os mais esquecidos, Danai Gurira vai sair de TWD depois desta temporada e acho que o papel que Jeffrey Dean Morgan interpreta tem grandes hipóteses de ser novamente um protagonista. Aliás, acho que faz todo o sentido que o seja.

Relativamente ao que aconteceu no episódio, os grandes momentos vão para as cenas inicial e final. Não estava à espera que Dante fosse avançar assim à descarada para o ataque, pensei que conseguisse prolongar por mais tempo o seu disfarce. Contudo, o facto de não o ter feito providenciou uma grande cena, totalmente aterradora. Mal me conseguia mexer enquanto via, de olhos arregalados, Siddiq em modo walker a dirigir-se à sua filha para a comer. Mais uma vez, tenho de elogiar a produção por nos trazer novamente momentos mórbidos em TWD. Apesar de nada de mal ter acontecido à bebé, só a ideia do que se poderia ter passado deixa qualquer um enjoado. Também o facto de ter sido Rosita a matar Siddiq foi bastante triste. Afinal de contas era o pai da sua filha e amavam-se.

Quanto à cena final, apesar de um pouco previsível, deixou no ar um cliffhanger e uma expectativa elevada para o próximo episódio. Creio que a atitude impulsiva de Carol foi bem idiota, mas percebo porque o fez. A vingança pelo que Alpha fez fala mais alto, ainda assim Carol deveria ter mais sangue frio e pensar duas vezes antes de agir. Contudo, este pequeno grupo sabe agora onde os Whisperers mantêm a horda de zombies e parece-me que haverá um confronto e, quem sabe, uma vítima ou duas para que consigam escapar. Talvez este seja o “aquecimento” para a derradeira batalha.

Pelo meio tivemos o momento em que Gabriel finalmente explode e descarrega em Dante (e bem) toda a raiva contida, não só dos últimos eventos, mas de há mais tempo. Nunca achei muita piada à personagem, mas já que continua presente pelo menos que seja mais útil do que tem sido até agora. Destaque ainda para os momentos de Michonne e Judith e a nova adição, Virgil. Apesar de não ter acontecido nada de mais foi bom voltar a vê-las. Também já tinha saudades do pequeno rebento de Rick e Michonne. As suas cenas são sempre fantásticas. E o que dizer deste misterioso homem que faz parte de uma comunidade sediada numa base militar? Poderá ser a Commonwealth? Fãs dos comics cheguem-se à frente! Ou será aqui que reencontraremos Maggie? De qualquer das formas, é nas armas que supostamente possuem que reside a esperança para derrotar os Whisperers. Esperemos que não sejam mais um inimigo a derrotar.

Por fim, quero apenas referir que gostei dos flashbacks em que vemos o plano de Alpha relativamente a Dante desenrolar-se. Por um lado precisavamos de ver esse lado para percebermos como tudo se passou, contudo, por outro, retira aquela misticidade que envolvia inicialmente os Whisperers e deixa antever que também estes inimigos serão derrotados. Sinto-me muito dividida em relação à cenas com os Whisperers. Quero ver o que ando a fazer e ao mesmo tempo não quero, porque estou à espera de ser surpreendida no momento certo. Também sentem o mesmo?

Beatriz Caetano