Classificação

8.5
Interpretação
7.5
Argumento
8.0
Realização
9.0
Banda Sonora

[Contém spoilers!]

De regresso à mesma “semana dos diabos”, desta vez aos olhos de Kate. Atrás das câmaras tivemos Justin Hartley (o Kevin da série) no papel de realizador, mas à frente das mesmas foi uma semana de empowerment feminino com Kate e Rebecca ao leme deste episódio que concluiu este evento especial de um trio de episódios interligados e focados em cada um dos irmãos.

Uma das pontes de ligação deste trio foi a noite no passado em que os três pequenos irmão deixaram de dormir juntos. Essa ponte, ainda que secundária para o foco destes três episódios, permitiu termos momentos ternurentos de Jack com cada um dos filhos, afugentando os medos do escuro e encaminhando-os para sonhos felizes com príncipes e princesas de carne e osso! Sem dúvida para mim um dos pontos positivos deste arco de três episódios e que nos permitiu ver pela primeira vez durante mais tempo os novos atores escolhidos para desempenhar a transição da fase bebé para a infância dos irmãos, e diga-se que são todos muito fofos, e, claro, permitiu a Milo Ventimiglia brilhar no que ele faz melhor na série: ser o papá Jack protetor e com uma visão luminosa do mundo para partilhar com os seus filhos.

O passado pós-Jack esteve também presente ao longo destas três semanas. Mas o arco de Kate aqui foi por demais enervante: percebo a posição de Kate, que tendo sido rejeitada ao longo da sua vida, não queira largar a experiência de ter um namorado que a olha finalmente como ela quer ser olhada. Mas o que é demais é demais, e há limites. Os sinais de que ele era desequilibrado saltavam à vista e quando a abandona à beira da estrada, no meio do nada, não deveria haver volta atrás. Felizmente a ajuda vem a caminho e a minha expectativa que esta jornada acabe com Kevin a enfiar o punho no “focinho” de Marc.

Finalmente no presente, o episódio até ao momento de maior conexão entre Kate e Rebecca, onde deixaram para trás quaisquer quezílias insignificantes e abriram o coração uma a outra sem meias palavras, sem julgamentos, sem censuras, para que ambas se apoiassem nos verdadeiros problemas. Em virtude das dificuldades que Kate atravessa no seu casamento e relativamente à condição do seu filho, o episódio acabou por ter um tom maioritariamente triste e depressivo, ainda que com alguns vislumbres de esperança, vindos sobretudo de uma Rebecca revigorada por um diagnóstico que a faz viver a vida ao máximo e esquecer tudo o que é secundário. O Ironic de Alanis Morissette, pela voz de mãe e filha, foi a nota desanuviadora neste episódio mais cinzento.

Quanto a Toby, confesso que começa já a ser algo cansativo esta indecisão e atitude que já se arrasta há algumas semanas. Finalmente Kate encostou-o à parede e fê-lo pensar bem e decidir o que realmente quer porque senão o arco de Kate seguia numa espiral negativa sem fim à vista. Por outro lado, tal como Rebecca, também eu acredito em Toby e espero uma reviravolta positiva.

De um modo geral gostei bastante destas três partes como um único episódio especial, acho que o episódio de Kevin foi o melhor em termos de ligação aos outros dois, mas cada um permitiu avanços para os personagens principais, permitiu a cada um dos três atores o seu espaço para trabalhar as suas emoções e construir novas camadas e precipitou mais um retiro a três, na mesma cabana onde estivemos com eles no passado. O romance foi o elemento em falta nestes três episódios de semana infernal, mas esperemos que regresse renovado dentro de poucos episódios, agora que nos aproximamos a passos largos do final da temporada.

André Borrego