Classificação

9.0
Interpretação
9.2
Argumento
9.4
Realização
9.0
Banda Sonora

Contém spoilers.

É verdade… Já está a estrear a sua 4.ª temporada. O seu modelo de constantes flashbacks e flashforwards torna mais desafiante limitar memórias a cada temporada e, assim, parecendo para mim que ainda ontem estávamos a ver aquele brilhante piloto inicial, já trilhámos um longo caminho com os Pearsons.

Na 3.ª temporada tinha sentido um decréscimo de interesse e emotividade que as primeiras duas sempre conseguiram despertar em mim. Por outro lado, todos os primeiros episódios de cada temporada primaram sempre por um nível elevado de surpresa e suspense, pleno de emoção e uma espectacularidade muito familiar, pelo que tinha a fasquia elevada.

Após assistir ao episódio desta semana considero que a produção decidiu “mudar o jogo” e arriscar para surpreender. E fê-lo pela adição de novas personagens. Já estávamos habituados a uma ou outra adição pontual para enriquecer o núcleo central e para servir o propósito da contracena face aos personagens intocáveis. Mas desta vez o cenário é diferente, as novas personagens parece que vieram para assumir grande protagonismo ao longo desta 4.ª temporada. Acho que a série precisava desta lufada de ar fresco mas não deixo de ter algumas reticências, pois pode ser um risco, uma vez que inevitavelmente roubarão espaço e tempo aos personagens que já nos são queridos e esta gestão terá de ser inteligente para a dispersão não desequilibrar a história e a dinâmica de This is Us.

E o que dizer de ver de novo Jennifer Morrison e Omar Epps a partilharem ecrã. Uma das primeira séries que vi e que ajudou a criar este bichinho que nós seriólicos partilhamos foi House, na qual me habituei a vê-los na mesma equipa. É, por isso, naturalmente especial para mim voltar a ver estes dois juntos, ainda para mais numa série com a qual me identifico tanto quanto This is Us.

E, de facto, é fácil identificarmo-nos com This is Us. Sempre foi uma série tão mas tão inclusiva ao procurar pontos de contacto com todos os fãs, apresentando circunstâncias da vida com as quais todos nos podemos rever num ou noutro momento e concentrando tudo numa só família.

Na introdução das novas personagens a realização conseguiu levar-me àquela sensação do piloto inicial onde nos perguntámos quem são estes estranhos e qual é a relação entre eles. Convenci-me ao longo do episódio que havendo três novos papéis centrais, que estaríamos a ver a geração seguinte e que cada um seria filho de um dos três elementos do famoso “Big Three”, Kate, Randall e Kevin, mas não seguiu essa linha mais previsível e por isso surpreendeu-me e julgo que terá surpreendido outros fãs. Só um deles era de facto um filho adulto de Toby e Kate, os restantes eram mesmo da mesma geração dos três irmãos somando duas novas famílias ao enredo que terão com   certeza pontes de ligação aos Pearsons de algum modo.

Com a chegada destas duas novas famílias e em particular de Malik (filho da personagem de Omar Epps) e Cassidy, This is Us ganha a possibilidade de explorar novas temáticas ainda não exploradas em temporadas anteriores e visitar outras já exploradas doutro prisma, como é o trauma pós-guerra e a os problemas com a bebida, agora no feminino. Já Malik traz consigo o seu filho, sendo ele ainda um adolescente. Acho que são duas adições de valor, não só pelos atores envolvidos em ambos os núcleos que já têm provas dadas, mas pela história familiar que cada um trás. Apesar de tudo isso, a personagem nova que mais me fascinou e que penso que terá mais camadas de complexidade para desvendar é Jack, o filho de Toby e Kate que traz a experiência de viver com uma deficiência, mas ao mesmo tempo prova que isso não fecha qualquer porta e que há sempre espaço para sonhar e concretizar os desejos por mais dificuldades que a vida nos coloque. E com ele traz ainda um extraordinário reforço canino.

É justamente a cargo deste Jack que fica o ponto alto musical deste primeiro episódio com uma música original muito agradável e com uma letra bem bonita!

No meio de tudo isto, e face às novidades, tivemos também direito a voltar ao período inicial do namoro de Jack e Rebecca, mas acabou, para mim, por ser algo secundário face ao resto, sendo que é impossível as cenas não serem entusiasmantes e fofas quando este casal está junto com toda a química que os caracteriza.

Continuo a achar o episódio inicial da 1.ª temporada o melhor de todos, digno de cinema, e sobretudo porque na altura o vi sem qualquer expectativa ou ideia do que me esperava. Agora assisto noutro contexto e com outra informação prévia, mas This is Us consegue quase sempre adicionar notas relevantes, criativas inovadoras, tanto do ponto de vista de história como de realização, sem descurar interpretações emocionantes. Este começo não desilude e está lançada a escada para mais uma temporada com o carimbo de qualidade que sempre colocou esta série na rota dos Emmys.

André Borrego