Classificação

9.6
Interpretação
9.4
Argumento
9.5
Realização
9.4
Banda Sonora

Se o episódio da semana passada havia sido de Rebecca, este é de William e de Toby, sem dúvida. Tratou-se de mais uma semana com carga dramática intensa, mas também com mensagens de esperança, de segundas oportunidades, de sacrifício, compreensão e generosidade. Foi um episódio que recuperou pontas soltas e que terá contribuído para gostarmos ainda mais de personagens que provavelmente já adorávamos, mas também de nos revoltarmos contra alguém com quem estávamos de “boas relações”.

William é a personagem que dá nome ao episódio: “The most disappointed man”. É ele o homem mais desiludido do mundo. E porquê? Imaginem ter uma vida amorosa feliz, ter a vossa família por perto e com saúde e, de repente, perder tudo isso! Nem dá para imaginar, mas foi o que aconteceu ao pobre William que, de um momento para o outro, perdeu a mãe e a sua mulher, ficando com uma criança nos braços, uma criança que com certeza era muito desejada, mas realmente as circunstâncias condicionaram muito as decisões de William. O que se seguiu foi uma completa desistência. William entregou-se ao caminho errado, deixando-se dominar pelas drogas e entrando numa vida à margem da lei. Rapidamente está em tribunal e com destino marcado para trás das grades. No entanto, o desabafo de William durante a sessão no tribunal, o seu estado de espírito perante o que a vida lhe roubara comoveu o juiz, que também se sentia desiludido por ter de ditar sentenças penosas repetidamente. Desta vez o juiz queria escrever um final diferente, decidiu confiar no lado bom que viu em William, no seu potencial para fazer o que estava certo, e tirou-o da prisão com o compromisso de se lembrar de si cada vez que fosse tentado a sair da “linha”. William continua a ser uma personagem poderosíssima, nas várias idades, e o facto de ter vivido “muito” a sua vida, para o bem e para o mal, dá-nos sempre cenas com grande impacto.

William não terá conseguido manter-se sempre na linha, ter-lhe-á faltado um pilar familiar que lhe desse o equilíbrio que a sua vida precisava. É justamente a essa conclusão que Randall chega num episódio em que visita a mãe biológica de Deja e percebe que privá-la da filha poderá ditar uma vida errónea e sem sentido para ela. Esta é uma dúvida que irá assolar a cabeça do generoso e compreensivo Randall. No entanto, trata-se de uma balança com dois pratos, pois o pior cenário para a mãe de Deja poderá ser o melhor para Deja. Uma coisa ficou certa, se Randall e Beth quiserem ficar com a guarda de Deja podem contar que Shauna dará, no mínimo, muita luta.

A ponta solta a que me referia em cima diz respeito ao processo de adoção de Randall pelos seus pais, Jack e Rebecca. Até aqui parecia-me o ponto mais fantasioso de toda a história, pois, por muito bonito e cinematográfico que fosse o “aparecimento súbito” de um bebé abandonado, como que compensando Jack e Rebecca pela perda do terceiro gémeo, e ainda que estivéssemos a falar da década de 80, não seria de todo normal levarem um filho que não era deles para casa como se nada fosse. Mas o processo teve regras a cumprir, foram regularmente visitados por uma assistente social, fizeram um grande esforço para agradar-lhe e ela só tinha boas recomendações. O que se seguiria seria uma mera formalidade junto de um juiz para tornar a adoção oficial, mas a raça negra do juiz levou-o a questionar a adequabilidade daqueles pais para prepararem Randall para possíveis opressões futuras, resultantes de uma sociedade com racismo bem presente. Foi uma carta sincera e cheia de amor à sua família, da parte de Rebecca, que influenciou positivamente a opinião do juiz Bradley, que se retirou do caso, deixando caminho aberto para a oficialização da adoção. Ironia dos destinos, os juízes de William e da “adoção de Randall” eram conhecidos e ambos se preocupavam e questionavam se estavam a fazer “a coisa certa” recentemente.

Este episódio desiludiu-me em relação a Kevin e com certeza terá desiludido outro fãs. Tenho vindo a observar com agrado atitudes de um Kevin mais à imagem de Jack, tivemos inclusivamente um episódio na 1.ª temporada chamado “Jack Pearson’s Son” que nos deu essa ilusão. O que é certo é que ele começou a marcar passo na semana passada e nesta estragou tudo por completo. Já sabemos que Kevin é a personagem mais mal resolvida consigo própria, aquele que lida pior com os seus sentimentos e sobretudo com a ausência do pai, mas Sophie não merecia de todo o que ele lhe fez. A ver se terá sido uma atitude sem retorno. À primeira todos caem, à segunda cai quem quer. Não me parece que vá haver uma terceira.

Por fim, o outro protagonista do momento: Toby! Continua a assegurar o lado mais cómico da série numa divertida parelha com Kate. Mas desengane-se quem pensa que Toby se fica pelo humor. Esse está quase sempre presente, mas há muito mais para dar. Contrastando com o “homem mais desiludido do mundo”, Kevin será no momento o homem mais feliz do mundo graças à gravidez de Kate. Mas ainda assim tem as suas incertezas e inseguranças, como temos todos. Num momento espontâneo e irreflectido, característico deste par, estavam a beira de decidir casar-se no registo sem ninguém saber, evitando dramas com vestido e ausências irremediáveis de casamento. Mas Toby procurou as suas respostas justamente com a melhor pessoa para o ajudar com os seus bons exemplos e positivismo: Jack Pearson. Isso mesmo, foi um momento um tanto ao quanto peculiar, mas ainda assim genial, o “diálogo” entre Toby e a urna das cinzas de Jack. Quer Jack tenha enviado um sinal ou não, a verdade é que Toby tomou a decisão mais corajosa e romântica, fez o pedido que Kate merecia e têm agora um dia muito importante para planear.

André Borrego