Classificação

9.6
Interpretação
9.9
Argumento
9.5
Realização
9.4
Banda Sonora

Que série! E que episódio! Esta semana tivemos episódio de Thanksgiving, o dia mais importante do ano dos norte-americanos. E porventura teremos tido o melhor episódio até ao momento, um episódio recheado de tradições, grandes emoções, decisões e revelações marcantes e até algumas lições de vida.

Pois bem, é Dia de Ação de Graças e Jack, Rebecca e os seus três filhos pequenos vão a caminho da casa dos pais de Rebecca. No entanto, por acaso fortuito, um furo num pneu impede que o cenário habitual se repita e acaba por proporcionar um dia totalmente diferente para esta família. A família, privada do carro, caminhou à procura de um lugar para passar a noite de Ação de Graças, caminhada essa ritmada pela partilha do que cada um esperava que fosse o Thanksgiving no futuro. Este momento de partilha fez Jack e Rebecca aperceberem-se que os filhos não gostavam nada deste dia, porque agiam todos de modo diferente na casa dos avós. Felizmente o destino alterou os seus planos. Chegaram então até uma pousada gerida por um indivíduo, digamos, um tanto ou quanto assustador com um chapéu de Peregrino, Pilgrim Rick. E aí ficaram e, face a condições por demais adversas, Jack reinventou a noite e tornou-a especial, porque afinal de contas tinham tudo o que precisavam, tinham-se uns aos outros. E como é que Jack tornou a noite especial? Encarnando o “Peregrino” (Pilgrim) para arrancar umas gargalhadas e contar histórias de Ação de Graças, trazendo uma cassete do clássico “Academia de Polícias” para verem em família e trazendo pauzinhos para espetar salsichas, enroladas em queijo, e assar junto a uma “fogueira improvisada” (que não era mais que a chama do aquecedor). Por fim, Rebecca acrescentou um momento para finalizar a noite. Passando um novelo de lá entre todos, cada um diria aquilo que pelo qual se sentia agradecido. E assim se proporcionou um verdadeiro dia de família, fazendo nascer tradições duradouras.

No presente está planeada a reunião dos vários núcleos da série. Kate vem para Nova Iorque, mas em virtude dos acontecimentos do episódio passado virá sozinha, depois de decidir fazer uma pausa na relação com Toby, que não estava a ser saudável no momento, mas não parece que tenha sido mesmo o fim. Já Kevin convidou a sua companheira de palco, a enigmática Olivia que, devido a memórias passadas, odeia o Thanksgiving. Para completar a mesa temos os elementos da casa e Rebecca e Miguel. Está então montado um cenário familiar, mas já sabemos que esta família peculiar está longe de ser a mais funcional.

E arranca o dia de Ação de Graças: começa com o despertar da família com uma energia e boa disposição contagiantes por parte de Randall. Apenas com Kate por chegar, começam as tradições criadas naquela noite do passado. A primeira consiste em dar uma caminhada em família. Durante essa caminhada, Randall pergunta a William como eram os seus dias de Thanksgiving. Eram partilhados com os amigos músicos, onde se gravavam para a posteridade, mas desde que a doença começou a atacar, Randall teve de abdicar de estar presente e contentava-se em ouvir essas gravações que tinham grande significado para ele. Randall, disposto a tornar aquele que poderá ser o último Dia de Ação de Graças de William, decide faltar à segunda tradição (assistirem a um clássico do cinema em família) para viajar até casa de William e trazer as suas cassetes.

Como é habitual em Olivia, uma mudança de atitude repentina, a meio da tarde, leva-a a desistir deste dia em família com Kevin, mas aí dá-se o momento mais tocante do episódio, uma verdadeira lição de vida de William para Olivia. Ao ver a atitude dela para com Kevin, que só está a querer tornar o seu dia especial, William partilha com ela o que a vida lhe ensinou. William percebe agora, tendo em conta as circunstâncias da sua vida, o valor que simples momentos têm, simples pedaços de vida como ele lhes chama. E vive-os com a intensidade que merecem, aproveitando-os ao máximo como se fossem os últimos. Porque um dia os jovens deixarão de o ser e não terão a capacidade nem o tempo para viver esses momentos aos quais teimaram, ainda que inconscientemente, não dar importância. E por isso é que é tão importante agarrarmos cada momento e vivê-lo por inteiro. As sábias palavras de William têm efeito imediato e Olivia cai nos braços de Kevin.

E seguimos para a terceira tradição, o momento de colocar o chapéu e encarnar Pilgrim Rick e contar umas histórias de Ação de Graças para as crianças. O momento que sempre fora de Jack e que passara a ser à vez, ora de Randall, ora de Kevin, e que, este ano, após algumas reticências, Kevin deixa que seja protagonizado por Miguel.

E chegámos então à ceia, com os pauzinhos de salsicha enrolada em queijo na mesa, já com Randall de volta e é o momento da tradição final, a partilha dos motivos pelos quais estão gratos. O momento estava perfeito com Rebecca a agradecer por estarem juntos e por esta maravilhosa família e confesso que talvez aqui gostasse que This is Us tivesse embelezado o quadro em vez de nos trazer de volta à realidade de que nem tudo são borboletas e felicidade. Então, quando Rebecca passa o novelo de lá ao Randall, este em vez de referir porque está grato, confronta a sua mãe com uma carta escrita por ela, que encontrou em casa de William, e que contém uma foto sua em criança no interior. Já conhecíamos este segredo há algumas semanas, mas o facto de Randall ter descoberto terá consequências marcantes para os futuros episódios, pois a dura realidade que ele enfrenta é que a mãe que ele tanto ama privou-o do convívio com o seu pai biológico durante um tempo de vida, restando agora poucos momentos para compensar esse vazio, essa ausência. O clima estava de cortar à faca até que chegou Kate com uma nova e marcante decisão, motivada por um voo atribulado.

Mais uma semana com todos os elementos que tornam This is Us numa série maravilhosa.

André Borrego