Estreia hoje, 8 de abril, na Apple TV, o último episódio da 3.ª temporada de Shrinking (Terapia Sem Filtros). Ao longo de 11 semanas fomos acompanhando Jimmy (Jason Segel), Alice (Lukita Maxwell), Paul (Harrison Ford), Gabby (Jessica Williams), Sean (Luke Tennie), Brian (Michael Urie), Liz (Christa Miller) e Derek (Ted McGinley) numa constante tentativa de lidar com as complexidades da vida.
Se há algo que esta temporada reforçou foi a ideia de que Shrinking é, provavelmente, a série de conforto menos série de conforto de sempre. Na verdade, é precisamente o oposto, uma série que nos deixa desconfortáveis. Faz-nos rir pontualmente, sim, e tem um estilo muito característico, mas a sua verdadeira base continua a ser o drama e a forma como nos obriga a refletir sobre tudo aquilo que estamos a ver.
Tal como nas temporadas anteriores, dei por mim várias vezes sem saber muito bem o que sentir ou de que lado estar. Com esta série raramente tudo é preto no branco e acho que é precisamente isso que a torna tão interessante. Há situações e decisões que conseguimos compreender, outras nem tanto, e em alguns momentos ficamos a pensar e mesmo assim acabamos por não chegar a conclusão nenhuma.
Embora alguns deles sejam terapeutas, estas personagens não deixam de ser humanas e, como tal, falham, tomam decisões questionáveis e lidam com os seus próprios problemas enquanto tentam ajudar os outros. E isso coloca-nos muitas vezes numa posição desconfortável e leva-nos a refletir sobre como agiríamos em situações semelhantes.
Nesta temporada, gostei particularmente do maior foco dado a Paul. Não só pela forma como foi abordada a sua luta com o Parkinson, mas também pelo desenvolvimento que foi dado ao personagem. Paul, a meu ver, nem sempre foi/é uma personagem consensual, mas senti que, especialmente nesta temporada, houve uma evolução muito positiva da personagem, a par da questão relacionada com a sua doença. No geral, gosto cada vez mais de séries que abordem os desafios que esta faixa etária enfrenta, embora saiba também que não lhe são inteiramente restritos.
Resumidamente, Shrinking continua a ser uma série que nos desafia mais do que nos conforta, embora também o faça à sua maneira. Também nos faz rir pontualmente, mas, acima de tudo, faz-nos pôr as coisas em perspetiva e ponderar cada situação/decisão. Uma 4.ª temporada já está confirmada e, tendo em conta os desenvolvimentos do último episódio, estou curiosa para saber como é que esta se irá desenrolar, sabendo também, que o criador deu a entender que esta temporada terá uma nova história mas com os mesmos atores.
Melhor Episódio:
My Bad (Episódio 1) – Embora o episódio tenha excecionalmente cerca de uma hora, ao contrário dos habituais 30 minutos, foi, para mim, um excelente início de temporada. Destaco especialmente o momento de apoio no jogo de Alice e grande parte das cenas envolvendo Paul, sobretudo o que acontece nos minutos finais e que nos deixa de coração apertado.
Personagem de Destaque:
Paul – Confesso que estive tentada a escolher novamente Derek, pois, sem sombra de dúvida, é um dos meus personagens favoritos, mas para não o repetir acabei por optar por Paul. Como referi anteriormente, apesar de não ser uma personagem totalmente consensual, foi, sem dúvida, uma das que mais evoluiu nesta 3.ª temporada. Além disso, através dele, Shrinking aborda o Parkinson, o que me permitiu ficar a saber mais sobre a doença.