O Grito – Crítica da minissérie
| 19 Nov, 2025
7.44

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O Grito, a minissérie portuguesa disponível no catálogo da HBO Max, começou com um ritmo um pouco lento e, durante grande parte do primeiro episódio, parecia que iria abordar temas já muitas vezes retratados como o bullying, marido alcoólico e professora que sofre com as injustiças à sua volta, no entanto, à medida que fui avançando para os restantes episódios, dei por mim cada vez mais embrenhada na história e surpreendida com a forma como a narrativa se ia desenvolvendo.

Esta série acompanha o regresso de Sofia (Sara Matos) a Portugal, após o suicídio da irmã, Vitória (Daniela Ruah), numa tentativa de reconstruir os seus últimos passos e tentar compreender o que a levou àquela decisão. Dessa forma, vamos conhecendo melhor Pedro (Gonçalo Almeida), o filho de Vitória, e Salvador (Pedro Laginha), seu marido, bem como alguns dos seus alunos e a intransigente Diretora da escola onde trabalhava. Ao longo da temporada a história vai intercalando entre o passado e o presente, sendo que vamos percebendo o quão desafiantes eram os contextos familiar e profissional de Vitória. Vemos também o impacto que essa decisão teve, sobretudo em Pedro.

No final do sétimo episódio houve uma revelação chocante, contudo, eu desconfiei logo no primeiro episódio que isso poderia ter acontecido. É curioso como conseguiram, de certa forma, deixar esse segredo quase para o final, mostrando apenas pequenos indícios para a desconfiança de que algo de estranho tinha acontecido, logo no início.

Quanto ao desfecho de O Grito, este deixou-me com sensações contraditórias. Apesar de um dos acontecimentos finais me ter surpreendido, senti que nos últimos minutos tudo aconteceu de forma um pouco abrupta e que ficaram pontas soltas por resolver, sobretudo no que diz respeito à forma como certas personagens reagiriam não só a essa tragédia, mas também à revelação do que levou a essa tragédia. Confesso que estava especialmente curiosa para ver o impacto dessa revelação e preferia que tivessem prolongado um pouco mais o episódio, de forma a haver uma melhor conclusão para uma ou outra narrativa.

Para quem não acompanhou na HBO Max, a série vai estrear na RTP1, no dia 8 de dezembro.

Melhor Episódio:

Episódio 6 – Considerei escolher o sétimo episódio, dado a revelação no final, contudo, como era algo que desconfiava desde início, não me surpreendeu, e considerei também escolher o último episódio não fosse aquele final tão abrupto. Dessa forma, acabei por optar por este, pura e simplesmente pelos momentos finais. Fiquei de coração apertado e de lágrima no canto do olho. Pedro foi sem dúvida nenhuma um dos personagens em quem foi mais percetível o impacto do suicídio de Vitória. Já para não falar do facto de que a sua namorada também deixou de dar notícias, a relação com o pai não era a melhor, portanto, consigo perceber perfeitamente a sua tristeza e revolta.

Personagem de destaque:

Miguel (Rafael Paes) – Embora não seja um dos personagens principais, na verdade, até nem aparece muitas vezes, gostei instintivamente de Miguel e confesso que gostaria de ter visto um pouco mais deste, pois acredito que seria um personagem com bastante potencial. Precisamente por ser um personagem secundário, mas ainda assim um bom personagem e, portanto, poder passar um pouco mais despercebido que me leva a querer destacá-lo.

Créditos da imagem: Volf Entertainment
O Grito - Crítica da minissérie
Temporada: 1
Nº Episódios: 8
7.44
7
Interpretação
7.5
Argumento
7.8
Realização
7.5
Banda Sonora

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