Classificação

6.5
Interpretação
7
Argumento
6.5
Realização

[Pode conter spoilers]

Estreou mais um episódio, no AMC, da série antológica Soulmates (podem ler a review do primeiro episódio aqui), que decorre depois de 2023, num futuro onde é possível descobrir a alma gémea através da realização de um simples teste. Neste segundo episódio de Soulmates, The Lovers, conhecemos David Maddox (David Costabile), um professor universitário de arte que um dia é abordado por Alison Jones (Sonya Cassidy), a sua alma gémea. Eles iniciam aquilo que aparenta ser um típico caso extraconjugal, mas logo percebemos que nem tudo é o que parece.

Apesar de considerar que este segundo episódio é melhor que o primeiro, pois conseguiu prender mais a minha atenção e até me fez sentir um pouco ansiosa, não só por causa de tudo o que estava a acontecer, mas também porque queria realmente entender o que se estava a passar e queria ficar a saber como é que aquilo tudo ia acabar. A verdade é que ainda sinto que falta alguma coisa.

Tendo em atenção que a premissa base é relacionada com um teste que nos permite descobrir quem é a nossa alma gémea, estava à espera que a série se focasse nos pontos positivos e negativos disso, em especial no impacto que isso teria nos relacionamentos. Principalmente, esperava acabar cada episódio, como também mencionei na review de Watershed, com a minha cabeça feita em água enquanto ficava tempos infinitos a pensar naquilo que tinha acabado de ver e debatia mentalmente todas aquelas questões apresentadas, mas isso não aconteceu nem com o primeiro episódio, nem com The Lovers.

Sinto até que a questão do teste é meramente secundária, servindo quase como um adereço. Tê-lo lá ou não ter quase não faz diferença nenhuma. As histórias apresentadas, tanto em Watershed como em The Lovers podiam muito bem ter sido contadas, apresentando os mesmos desfechos, sem haver a questão do teste.

No primeiro episódio é verdade que o que despoleta todas aquelas dúvidas é não saber efetivamente se eram as almas gémeas um do outro e o facto de existir um teste que permite saber isso foi o que provocou e intensificou essas dúvidas. No entanto, se formos a ver bem, não é preciso existir um teste para que haja dúvidas, num casal, se realmente são a pessoa certa um para o outro. Muitas vezes essas dúvidas até se criam sozinhas ou até podem ser despoletadas por algo, mas ser por causa de um teste ou por outro motivo qualquer, a meu ver não faria grande diferença. E no segundo episódio, então, a questão do teste foi mesmo meramente secundária, tendo sido somente usada como engodo. Através deste, Alison conseguiu chamar a atenção de David e assim levar o seu plano avante. Contudo, acho que se ela tivesse utilizado outra forma para chegar até ele teria conseguido na mesma. Já para não falar que a conclusão do episódio nada teve que ver com a questão envolvendo o teste e o que adveio daí, apesar de ao início poder parecer isso, dado que David e Alison vão ter um caso extraconjugal.

É certo que a existência desse teste dá um toque diferente às histórias, não digo que não – tanto é que se não fosse este até diria que as histórias seriam banais. Porém, estava à espera de algo diferente e acho que se os restantes episódios seguirem esta linha (por assim dizer), vou ficar um pouco desapontada. Tinham em mãos algo que dava para criar histórias excecionais, mas acho que não o estão a aproveitar da melhor forma.

Não quero com isto dizer que este episódio não vale a pena ser visto. Inclusive, se gostaram do primeiro acho que vão gostar ainda mais deste, pois considero que foi mais interessante e até mesmo mais intenso. A história troca-nos as voltas e até consegue surpreender (mais ou menos), uma vez que parecia que ia numa direção, mas depois seguiu outra completamente diferente. Contudo, como eu tinha uma ideia diferente daquilo que seria Soulmates, tanto Watershed como The Lovers ainda não me conseguiram convencer quanto ao potencial desta série.

Cármen Silva