Classificação

6.2
Interpretação
6
Argumento
6
Realização
6
Banda Sonora

[Pode conter spoilers]

Evil é a nova aposta da CBS que examina a velha questão ciência vs. religião, mas também as origens do mal. No centro da história encontra-se uma psicóloga forense cética (Katja Herbers) que se junta a um aspirante a padre (Mike Colter) para investigar supostos milagres, possessões demoníacas e outros fenómenos por explicar. Criada por Robert e Michelle King (The Good Wife) e com uma premissa destas, Evil tinha tudo para dar certo e ser o próximo grande fenómeno televisivo. Terá conseguido?

Quando vi o trailer desta série fiquei bastante curiosa, pois prometia um género narrativo do qual gosto bastante: os enredos em torno das possessões demónicas e o facto de serem ou não reais. Não sei explicar muito bem porquê, até porque não há pessoa menos religiosa do que eu, mas esta temática sempre me fascinou, porque a verdade é que há coisas inexplicáveis a acontecerem pelo mundo. Se é a maldade ou loucura das pessoas ou algo mais é o que me atrai. Uma das séries de que mais gostei de ver sobre esta temática foi The Exorcist e achei que Evil seria colocada ao lado daquela no corredor das séries espetaculares sobre os dualismos Bem/Mal, Crença/Descrença, Possessão/Loucura.

Devo dizer que este primeiro episódio me desiludiu bastante. Não foi nada daquilo que estava à espera e não me conseguiu prender a atenção por completo. Apesar de não prometer eventos sobrenaturais (pelo menos no piloto não existem), coisa que para mim é sempre um bónus, esperava mais desta parte introdutória e das personagens que nos são apresentadas. Todo o caso ficou resolvido nos 45 minutos que o episódio durou, sendo que esperava algo mais complicado de decifrar. Rapidamente chegaram à conclusão de que não havia possessão nenhuma e que era tudo uma farsa. Pessoalmente, queria um aprofundamento maior da personagem que está a ser questionada, perceber o porquê de ter cometido os crimes e não simplesmente “Não está possuído. Vai apodrecer na cadeia. Fim”.

A meu ver focaram-se demasiado em Kristen, a psicóloga forense, nos seus dramas pessoais, na sua ligação imediata com David Acosta, o enviado da Igreja, e no efeito instantâneo que ser introduzida à possibilidade de haver uma possessão teve nela a nível psicológico. A sua storyline foi dos 0 aos 100 num piscar de olhos e, o que até tinha calibre para ser uma personagem interessante, perdeu-se nos primeiros 10 minutos do piloto. A meu ver, a história avança com demasiada rapidez e, pelo que percebi, em cada episódio esta dupla, aliada a Ben, que procura sempre uma explicação lógica para os sons esquisitos que possam levar a crer que existe um demónio na casa, irá investigar um caso diferente.

Desta forma, creio que o piloto de Evil não foi das melhores narrativas que já me passaram pelos olhos, uma vez que não concretiza aquilo que a premissa da série promete. Tudo avança com demasiada rapidez e o espectador não fica cativado pelo que vê. O que tinha potencial para ser uma série diferente das outras do género que já foram feitas, acaba por cair no aborrecido e desinteressante, o que é uma pena. Da minha parte, não vou continuar a ver. Contudo, para quem também gosta desta temática, assim como de crime e casos diferentes a cada episódio, aconselho que deem uma vista de olhos.

Beatriz Caetano