Forever, a nova aposta da ABC, é uma série que mixa géneros: é um drama condimentado com comédia, um toque policial e uma pitada de fantasia. Conta-nos a história do Dr. Henry Morgan (Ioan Gruffudd), um médico legista nova-iorquino que teria uma vida perfeita normal caso não fosse imortal! Pois é… sempre que morre ele ressuscita, completamente nu, no curso de água mais próximo!

A contextualização do enredo e das personagens que nele navegam é perfeita! Ficamos a conhecer o núcleo principal, não só da interação gerada pelos diálogos inteligentes, mas também pelos fantásticos flashbacks da peculiar história de Henry.

A sua cruzada na Terra começou há cerca de 200 anos. Ele era médico de um navio! Examina um doente e, felizmente, vê que não está doente de cólera. Mas a tripulação não acredita, mata-os e atira-os ao mar. É aqui que Henry ressuscita pela primeira vez. Ao longo da sua invulgar existência, o médico vai buscando conhecimento constante sobre a anatomia humana, tornando-se assim um perito sobre morte. Tenta encontrar, em vão, uma explicação sobre a sua condição.

Noutro flashback, ele foi médico na segunda guerra mundial. É neste confronto que ele conhece uma enfermeira chamada Abigail (que se tornou o seu grande amor) que resgatou um bebé de um campo de concentração. Esse bebé, Abe, é agora idoso! Acompanhou o seu “pai” adotivo durante toda a sua existência. Atualmente é já idoso, mas o carinho de pai e filho permanece lá, reparem nos momentos finais em que Henry dá um beijo na cabeça de Abe. Por muito que cresçam (leia-se envelheçam), os filhos serão sempre crianças aos olhos dos pais.

Voltando ao quotidiano… Henry vai de metro para o trabalho. A sua capacidade de observação e dedução é tão aguçada que só de olhar para a jovem ao seu lado, consegue perceber toda a sua vida! Eles até combinam algo para mais tarde, mas dá-se um terrível acidente, todos morrem! Horas depois Henry ressuscita e vai preso por atentado ao pudor… Já que sai do rio completamente nu.

De volta ao trabalho, ele começa a examinar o condutor do metro… Chega a detetive Jo Martinez e, mais uma vez, Henry acerta em tudo sobre a policial! Mas as notícias não são as melhores: o motorista foi assassinado. A detetive quase descobre o segredo do Henry e ainda o acusa… mas ele descarta-se brilhantemente. Começa aqui uma parceria que veremos ao longo da temporada.

Graças à sua perspicácia e conhecimentos, Henry descobre o veneno (morreu para acelerar a “análise toxicológica”). E começa a caça ao homem. Quando o assassino está prestes a matar centenas de pessoas, Henry atira-se com ele do topo da estação e salva todos do perigo! (Morreu a terceira vez).

Graças à peculiar personalidade de Henry, a detetive Martinez contrata-o para seu assistente! Temos dupla formada…

O episódio terminou com um excelente monólogo de Henry acerca da vida e da existência humana! Foi algo arrepiantemente delicioso! A história de Henry seria demasiado limitativa, daí lhe terem incorporado um toque policial… Por isso tê-lo-emos ao lado de Martinez a resolver um caso diferente em cada episódio.

Resumindo: o elenco é muito bom e a banda sonora é das melhores da atualidade. Temos um bom drama com uma história ligeiramente diferente. Ao longo desta série teremos momentos de comédia inteligente, fantasia e da tensão característica do género policial. Não espero que seja uma grande série! Mas temos certamente uma série light, bem escrita e agradável. Aconselho!

Nota: 7.5/10

Rui André Pereira