Classificação

8
Interpretação
8
Argumento
9
Realização
9
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Brave New World é a mais recente estreia da novíssima plataforma de streaming Peacock, também disponível na HBO Portugal. Adaptada da obra literária com o mesmo nome, Admirável Mundo Novo, em português, do autor Aldous Huxley, esta série faz um retrato distópico das sociedades do futuro, onde aparentemente se alcançou o nível de perfeição da existência humana. Não há História, não há monogamia, não há família, não há dinheiro ou privacidade. Terão Brave New World e este episódio pilot conseguido trazer aos ecrãs as ideias que Huxley, em 1932, colocou no papel e as suas críticas à humanidade e às suas ações?

Posso responder com toda a certeza que sim, conseguiu. Tendo lido o livro, fiquei muito entusiasmada com a notícia da adaptação e, ao mesmo tempo, um pouco receosa. Escrita em 1932, a obra é uma daquelas obrigatórias de se ler pela sua narrativa esplêndida. As ideias e as críticas que põe em cima da mesa continuam a ser válidas na atualidade, talvez mais do que quando foi escrita. Contudo, temos de ter em mente que por mais futurista que Huxley quisesse ser, a tecnologia à sua volta só o deixava imaginar até certo ponto. O meu medo era que esta série não conseguisse fazer um bom trabalho a nível visual e em termos dos engenhos e aparelhos do futuro em 2540, quando tudo é feito de forma uniforme e massificada, e que se prendesse demasiado às descrições do livro.

Porém, esse foi o aspeto que provavelmente mais me surpreendeu neste primeiro episódio. A concretização da Nova Londres, onde a narrativa decorre, da tecnologia avançada que existe neste futuro e como ela é utilizada está muito melhor do que poderia ter imaginado. Tudo tem um toque de realismo que nos faz crer que é mesmo possível um dia o mundo ser assim. Tal como seria de esperar numa boa série distópica.

A nível de argumento, a história desenrolou-se de forma natural. Ficamos a conhecer as personagens principais e conseguimos já perceber o papel que cada uma vai ter na história. Talvez até de forma mais clara do que o que está no livro. Com a história deste presente na memória, consegui perceber perfeitamente quem era quem e, do meu ponto de vista, o casting foi muito bem feito. Talvez um ou outro ponto não esteja exatamente como nas páginas de Huxley, mas trata-se de uma adaptação e alterações nalgumas coisas são aceitáveis e compreensíveis.

Ainda assim, já li algumas críticas à forma como este mundo foi apresentado, uma vez que não há grande explicação de como se chegou a esta Nova Londres, à existência de diversas classes – dos Epsilões aos Alfa Mais, à Soma ou porque existe uma Reserva de Selvagens com humanos que se parecem tanto com os que conhecemos agora, ao invés de todos os outros. Olhando dessa perspetiva de quem não conhece o livro, realmente podem haver algumas falhas de contextualização, mas acredito que tudo será explicado nos episódios seguintes.

No geral, Brave New World tem tudo para ser uma grande série de 2020. Tem a história, tem o visual, tem o elenco, que, diga-se de passagem, está quase de luxo – Jessica Brown Findlay (de Downton Abbey), Harry Lloyd (de Game of Thrones), Alden Ehrenreich (de Beautiful Creatures) e Joseph Morgan (de The Originals) nas personagens principais -, tem a banda sonora e a sorte de ser produzida numa altura onde os efeitos especiais quase fazem milagres. A história que conta em tudo é atual e vai fazer-nos refletir sobre o rumo da humanidade, o que é sempre bom fazermos de vez em quando e melhor ainda quando é por meio de uma série tão boa.

Não percam Brave New World e, se puderem, leiam também o livro. Acho que não se vão arrepender.

Beatriz Caetano