Classificação

8.5
Interpretação
8
Argumento
9
Realização
7
Banda Sonora

[Não contém spoilers]

Perry Mason oferece-nos um piloto muito bem conseguido, onde somos apresentados a uma série sobre um detetive icónico e um mistério intrigante. O ponto mais forte deste episódio foi sem dúvida a excelente caracterização das personagens que nos vão acompanhar durante os oito episódios que compõem a nova aposta da HBO.

Los Angeles em 1932 é o cenário onde vemos a personagem criada por Erle Gardner ser trazida à televisão para mais uma adaptação. A reconstrução de L.A. nos anos 30 foi muito bem feita e ver um episódio desta série é quase como uma viagem no tempo para quem nunca lá esteve, reflete a aposta que a HBO fez a nível da produção de Perry Mason. Este Perry é interpretado por Matthew Rhys e de forma brilhante, dando-nos um detetive com um toque de sarcasmo e de depressão. Um detalhe que achei muito bom foi explorarmos um pouco o passado de Perry, com aquele telefonema que ele faz a tentar falar com o filho, mas que não deixa de ser inteligente. Aliás o caso onde Perry tenta arranjar fotos de um ator a ser apanhado no ato, traz até um enredo um pouco cómico para cima da mesa, mas o propósito dessa narrativa acredito que seja para mostrar como ele lida com o seu cliente: sem escrúpulos.

No começo tinha dúvidas sobre se iríamos ter um caso por episódio ou um para a temporada, e fiquei contente ao ver que vai ser um só caso para a temporada, pelo que não é o típico policial. O caso não foi ainda muito explorado, mas para qualquer fã do género, terá sido o suficiente para deixar interessados a ver o resto. No entanto o único ponto que aponto como menos positivo neste episódio é esse mesmo, o trabalho de dedução ou de detetive não foi muito explorado, mas também percebo que o objetivo deste episódio era apenas dar-nos o contexto e esse foi dado. A nível de elenco contamos também com Tatiana Maslany (Orhpan Black) apesar de só aparecer referenciada neste primeiro episódio.

Em suma foi um primeiro episódio muito bom e irei, sem dúvida, continuar a ver o resto da temporada. O detalhe mais positivo foi a boa caraterização, com profundidade, da personagem principal, onde sentimos que percebemos e empatizamos com o porquê de ele ser assim. As comparações com Sherlock são inevitáveis, mas sem entrar em comparações de qualidade ambas fazem uma coisa muito boa, trazem uma personagem antiga a uma boa adaptação na televisão, uma delas excelente, a outra com potencial para ser.

Recomendo a todos os que gostem de mistérios, ao estilo de Poirot, Murder She Wrote e semelhantes a darem uma espreitadela!

E vocês, o que acharam?

Raul Araújo