Classificação

8.5
Interpretação
7.5
Argumento
8
Realização
7.5
Banda Sonora

Pode conter spoilers!

Quase quatro anos após a despedida de Penny Dreadful, a HBO Portugal apresenta-nos o seu spin-off (sim, essas coisas que nunca mais parece que passam de moda). No entanto, Penny Dreadful: City of Angels começa 50 anos após o fim da série-mãe e atravessa o oceano. Saímos da chuvosa e maravilhosa Inglaterra vitoriana para a Cidade dos Anjos.

Se estou ligeiramente desiludida por este City of Angels não nos apresentar fantásticos personagens da literatura gótica – como é o caso de Dorian Gray, Dr. Frankenstein? Sim, sem pensar duas vezes. No entanto, o conceito macabro da série fascina-me e resolvi dar uma oportunidade ao episódio piloto – cuja protagonista é a fabulosa Natalie Dormer (que seguramente conhecem de séries como The Tudors – em que interpretava Ana Bolena -, da saga The Hunger Games ou como Margaery Tyrell, da lendária e inesquecível Game of Thrones), que dá a vida a um demónio chamado Magda que consegue a assumir qualquer forma que queira.

Para contextualizar, a série começa em 1938, em plena época dourada de Hollywood e apenas a um ano de começar a devastadora Segunda Guerra Mundial (na qual os EUA só entraram em 1941, quando o presidente Franklin Roosevelt enviou tropas norte americanas para a Europa após o ataque a Pearl Harbor). No entanto, o cheiro a guerra já andava no ar e todos sabemos que os Estados Unidos são um país de emigrantes. Portanto, os alemães nazi já andavam a fazer propaganda à sua causa no outro lado do Atlântico.

A série começa com a morte de um homem pelas mãos de Magda, que quer provar a todo custo à sua irmã, Santa Muerte, que os humanos são lixo. Santa Muerte é uma divindade do folclore mexicano, um anjo da morte que está associado à cura, à proteção e a levar os mortos para o além.

Apesar de a série não revelar muito durante os 67 minutos de episódio, oferece-nos o suficiente para nos manter interessados. Em termos de história e de personagens. Magda é má no seu estado mais puro, mas depois temos o primeiro detetive mexicano na Polícia de Los Angeles, Tiago Vega. Ele assistiu à morte do pai e, quando tentou salvá-lo, teve um encontro com a Santa Muerte que impediu que ele tivesse o mesmo destino do progenitor. Tiago é um homem bom, com um passado negro e algo de obscuro na sua personalidade melancólica que o torna um nada imprevisível. Ele está no centro do conflito social entre americanos e mexicanos e quer tanto escolher o lado correto que isso o leva a desistir para não ir contra os seus.

Neste Santa Muerte assistimos ao conflito devido à construção da primeira autoestrada da Califórnia que passa pelo bairro mexicano. Graças à intervenção de Magda (que também consegue tornar-se invisível), o confronto torna-se mortal. A situação social entre latinos e americanos vai ser certamente o ponto alto da temporada, assim como a interferência nazi, que começa por subornar um político da cidade de maneira a poder controlá-lo e criar raízes nos EUA. Aquele “Heil Hitler” no final da conversa entre o nazi e o político foi arrepiante (num mundo em que existem políticos como Jair Bolsonaro e Donald Trump é normal que histórias em que retratem Hitler sejam mais horríveis do que o costume).

Uma nota final que tenho a apontar foram aqueles efeitos especiais bastante fraquinhos do início do episódio, quando Magda provoca o incêndio que causa a morte do pai de Tiago. Para uma série da Showtime esperava um bocadinho mais.

Veremos como esta mudança de personagens literárias para divindades vai ser neste spin-off. A história é nova, interessante, os cenários e a atmosfera dourada mesmo a combinar com a cidade e a época e o elenco são elementos que têm tudo para serem uma fórmula vencedora. Vamos ver se estou certa.

Maria Sofia Santos