Classificação

7.5
Interpretação
8
Argumento
6
Realização
7
Banda Sonora

[Esta review contém pequenos spoilers contextuais para o primeiro episódio]

Control Z é uma nova série mexicana, depois do sucesso de séries de língua espanhola como Élite e de La Casa de Papel, entre outras, e como tal vem navegar na mesma onda. Aliás, eu descreveria Control Z como uma mistura entre Élite e 13 Reasons Why. Trata-se de um drama teenager sobre um tema que está bem presente na nossa realidade, o bullying.

Começamos por acompanhar Sofia a entrar no Liceu para o que parece ser um dia normal. É muito rápido gostar de Sofia: primeiro criamos logo empatia porque parece ser a única que não está presa e agarrada ao telemóvel, segundo porque vê um rapaz a sofrer bullying físico de outros três e vai-se meter no meio a impedir a situação de continuar. Conseguimos perceber facilmente a distinção entre Sofia e o mundo pelas cores das suas roupas. Ela usa roupas um pouco mais escuras sem serem góticas e todo o resto do mundo, que vive alheado no meio das redes sociais, usa cores mais berrantes.

O enredo da série fica bem percebido ao longo do episódio, um hacker, que não se sabe quem é, sabe tudo sobre a vida dos estudantes, afinal de contas pomos tudo online hoje em dia, e começa a revelar os segredos que sabe. No entanto não o faz de uma forma aleatória, começa por ameaçar alguns alunos com a seguinte premissa: ” Eu sei o teu segredo. Se escolheres alguém para ser a minha vítima não o revelarei”. E claro está que jovens no liceu, que vivem da reputação, sucumbem a esta ameaça como moscas a um pão quente. Achei este ponto particularmente interessante, do ponto de vista psicológico, a pressão a que as vítimas ou eventuais vítimas estão sujeitas é tremenda.

A introdução de um novo player, o Javier, também foi um ponto alto da série, ele vem como uma lufada de ar fresco naquele liceu, sendo um jovem bem intencionado, normal e com os pés bem assentes na Terra. A relação de amizade que cria com Sofia é muito engraçada, inocente e pura. Por outro lado, a personagem mais odiosa é a de Gerry, que é o principal bully. Não sei bem porquê, mas as cenas dele a atormentar o Luis causaram-me alguma impressão, e não foi pela violência envolvida que nem sequer é muita e já vi bem pior em 13 Reasons Why. Talvez tenha sido a reação de Luis quando a  mãe dele quer contar à diretora.

A nível de banda sonora considero que foi efetuado um bom trabalho. A primeira música é quase tão importante como a primeira impressão, e começamos o episódio logo a ouvir Mind Your Own Business, como se estivéssemos com o mesmo headset que Sofia. A realização não se destaca, não é uma produção com o mesmo dinheiro que Élite teve por exemplo, mas cumpre o seu trabalho de forma discreta. Gostei da forma como mostram as notificações a dar pop-up, especialmente no começo do episódio. O plano do telhado quando Sofia e Javier estão a observar os restantes cá em baixo também é muito bom.

No fundo gostei do episódio, o suficiente para querer ver o resto, tem uma certa dose de viciante na forma como acaba. Irei ver os restantes sete episódios!

E vocês?

Raul Araújo