Classificação

6
Interpretação
3
Argumento
3.5
Realização
5
Banda Sonora

[Pode conter spoilers]

A série canadiana Diggstown já chegou a Portugal. Esta série segue a história de Marcie Diggs (Vinessa Antoine), uma advogada de grande potencial, que renuncia o seu trabalho numa grande firma privada para trabalhar no setor público judiciário e ajudar aqueles que precisam após a sua tia se ter suicidado devido a ter sido acusada de um crime e não ter sido ilibada.

Após ter assistido ao primeiro episódio da série, é necessário mencionar a minha deceção na má execução de uma série com grande potencial. Desde a sua tonalidade, que assemelha Diggstown a uma série de advogados produzida no início do milénio, às transições abruptas entre o presente e o passado. Tornou-se impossível não me perder neste mundo e relacionar-me com as personagens. O argumento foi, possivelmente, o ponto mais fraco desta série, pois tentaram fazer demasiado num único episódio, o que resultou no detrimento do mesmo.

Entre estes problemas de argumento encontra-se a exposição excessiva da vida pessoal da personagem principal. Realmente é necessário para o público conhecer quem Marcie é fora do seu trabalho, mas ao expor a relação com a sua família, o seu passado amoroso com Avery Mueller (Dwain Murphy), a história da sua tia e ao mesmo tempo explorar dois casos jurídicos no mesmo episódio torna este excessivamente saturado e fastidioso. Talvez deveriam ter explorado uma rota mais misteriosa quanto ao seu passado em vez de exporem tudo no primeiro episódio.

Seguindo esta mesma veia de pensamento, conseguimos perceber o custo de passar tanto tempo na sua vida pessoal – a grande transformação que Marcie vivenciou no primeiro episódio, e o ponto base desta série, é a sua mudança do setor privado para o setor publico de advocacia, mas este ponto de interesse foi meramente escrito como algo insignificante e que não desafia minimamente a advogada, com a exceção de agora ter de ser ela a arquivar os seus próprios documentos.

Ultrapassando o argumento questionável, Diggstown tem no seu conceito original a ideia certa ao focar a sua história numa advogada que poderia ter uma vida de luxo e uma carreira de grande sucesso, mas abdica tudo para ajudar quem não tem posses a obter bom aconselhamento e defesa jurídica, pois com este suporte a série tem muito que explorar.

Mesmo com a minha crítica no tempo passado na vida pessoal de Marcie, acho que foi uma escolha inteligente envolver a sua família na história pois alarga o nosso entendimento da personagem e torna esta uma personagem completa e com várias facetas na sua vida, tal como todos nós.

Mas a salvação de Diggstown é a atuação de Vinessa Antoine que nos consegue apresentar aos lados mais fortes e vulneráveis de Marcie Diggs de uma forma fluída e credível em que em momento algum questionamos a realidade desta personagem.

Em suma, Diggstown tem grande potencial para ser uma série que nos agarra aos ecrãs, mas a sua execução a níveis cinematográficos e de argumento colocam-na em risco de ser mais uma série esquecida no aglomerado de séries produzidas e libertadas atualmente, sem deixar qualquer marca nos seus espectadores.

Liliana Capucho