Classificação

9.5
Interpretação
7.5
Argumento
6.5
Realização
7
Banda Sonora

O ser humano é, naturalmente, um ser social, mas sejamos sinceros, nem todos temos a mesma facilidade em desenvolver essa faceta e às vezes até desejamos que essa não fosse a norma, mesmo que mais tarde nos encontremos deitados na cama a fazer scroll pelas fotos dos nossos amigos sentindo saudades, tal como a protagonista de Dollface.

Dollface centra-se numa jovem (Kat Dennings) que, após ser abandonada pelo seu namorado de longa data, terá que se esforçar mental e fisicamente para voltar a entrar no mundo das mulheres e reestabelecer as amizades femininas que deixou ficar para trás devido à sua relação.

São incontáveis as vezes que já ouvi e até disse que não sabia ser amiga de mulheres… e é aqui que vamos parar. Se The Bold Type e até mesmo Sex and the City nos conseguem mostrar o quão positivas são as amizades femininas, Dollface passa uma mensagem mais realista: nem todos temos essa sorte, mas a esperança é a última a morrer. Para quem tem dificuldade em estabelecer relações que tenham realmente significado, a protagonista será desde logo um porto seguro de sentimento de identificação. Mas não se preocupem, se já têm o vosso grupo de amigas mais do que consolidado e não imaginam a vossa vida de outra maneira, o restante elenco está no mesmo barco, e acrescento desde já o quão fantástico é este elenco: Brenda Song (The Suite Life of Zack and Cody), Shay Mitchell (Pretty Little Liars), Esther Povitsky (Crazy Ex-Girlfriend) e Brianne Howey (The Exorcist) juntas no mesmo ecrã? Só podia resultar uma excelente interpretação.

Portanto, quem nunca viu o típico caso de alguém que entra numa relação e põe os amigos de lado? Alguém que confia tanto no respetivo parceiro, que se sente preenchida por ele e que julga que será assim para sempre e tal é mais do que suficiente? Jules (Kat Dennings) é esse alguém. Depois de abandonada de forma repentina pelo seu namorado de cinco anos, ela embarca numa pequena viagem de autocarro, que na minha ótica foi das partes mais engraçadas do episódio. Este autocarro é peculiar, para além de ser conduzido por uma mulher gata, nele só entram corações partidos femininos. Jules chega ao “terminal dos términos” e enquanto todas as outras passageiras são recebidas e consoladas pelas suas amigas, ela não tem ninguém à sua espera, e segundo o posto de informações, já não tem amigas visto que o prazo de validade das suas amizades expirou. E aqui começa o desenrolar de toda a narrativa com a nossa protagonista a tentar restabelecer as conexões que tinha antes de começar a namorar.

O episódio desenvolve-se de forma leve, mas sempre cauteloso tentando desmitificar quaisquer informações negativas que possam ser associadas a amizades femininas e, chega mesmo a fazer troça de raparigas que só são amigas de rapazes – todo o episódio é uma ode ao feminismo e à importância de mulheres se apoiarem umas às outras. E a nível de enredo, por enquanto, é isso, se bem que é provável que espere ao espectador cada vez mais drama no sentido em que agora que todas as personagens foram introduzidas, provavelmente terão um desenvolvimento digno e terão os seus próprios problemas não envolvendo Jules.

Outro fator que pode ser apreciado na obra é a naturalidade e o realismo com que tudo se desenrola: estamos a falar de pessoas que não se falam há cinco anos… Na vida real isto iria proporcionar alguns momentos estranhos. Por muito que se queira voltar ao que se tinha no passado é impossível sem primeiro ultrapassar estas barreiras, e a série passa isso perfeitamente.

Quanto a aspetos negativos, porque sim, existem: a nível sonoro e visual não é uma série fantástica, e poderia ser muito melhor explorada tal como é feito em The Bold Type, se bem que esta última é um drama e não uma comédia (mas nada impede uma série cómica de ter uma boa banda sonora… olhando para How I Met Your Mother neste momento). Na trama há também elementos clichés que seriam dispensáveis como, por exemplo, quando Jules se confronta com o agora ex-namorado e este ataca a sua melhor amiga, e Jules dá um pequeno discurso sobre o quão errada ela estava em ter abandonado a amiga – vejam por vocês mesmos e perceberão ao que me refiro; é simplesmente algo que não parece orgânico.

Não sei se foi percetível, mas estou só à espera de acabar de escrever esta review para ir assistir aos restantes episódios da 1.ª temporada de Dollface… e se chegaram até aqui, acho que deviam fazer o mesmo.

Ana Leandro