Classificação

6.1
Interpretação
5.4
Argumento
5
Realização
6.2
Banda Sonora

Contém SPOILERS!

Houdini and Doyle narra a improvável amizade entre Harry Houdini, o mítico mágico, e Sir Arthur Conan Doyle, o escritor de inúmeras obras, nomeadamente de Sherlock Holmes, já de nós conhecido pelas inúmeras adaptações ao cinema e à tv. Esta dupla improvável vai juntar-se, nos primórdios do século XX, com o intuito de investigar mortes invulgares: enquanto o primeiro tenta explicar o que realmente aconteceu, o segundo busca a existência da vida além da morte. Temos então uma série histórica, policial, com ligeiras pitadas de aventura e ação. Como já sabem, a série estreou no Reino Unido (ITV) no dia 13 de março e no dia 2 de maio nos Estados Unidos e no Canadá (Fox e Global, respetivamente.

Começando pelo chiché, já desgastado em várias séries, mas que Houdini and Doyle tenta explorar como algo novo: a relação de amor-ódio entre os dois personagens principais. Não fosse esse o ponto de partida de (quase) todas as séries de investigação, policiais, e outras que tais. A série situa-se temporalmente em 1901, altura em que Doyle lançara, há pouco tempo, o seu The Great Boer War. E quando os dois se encontram na esquadra da polícia pelo mesmo motivo, trocam apostas sobre quem vai descobrir a verdade. O certo é que até apostam, mas esta competitividade fica por aí, já que trabalham em equipa daqui em diante. A eles junta-se um elemento ainda mais improvável, Adelaide Stratton, a primeira (espero não estar induzido em erro) mulher a entrar para as forças policiais no Reino Unido.

A morte que vão investigar acaba por ser algo fora do vulgar: uma freira é encontrada morta no convento, vítima de homicídio. Se um homicídio num convento é algo de invulgar, juntem-me uma pitada de sobrenatural para aguçar a curiosidade dos nossos dois personagens principais! Uma das freiras admitiu ver o assassino… ou melhor, assassina! Trata-se de uma jovem que morreu meses antes. Enquanto Houdini entra na aventura para desvendar a verdade, deslindando estas factos fantasmagóricos, eis que Doyle vem para provar que a vida além da morte existe, já que a sua esposa se encontra em coma algures num hospital. Espanta-me que Doyle mantenha as suas crenças depois de ser vítima de uma vidente charlatã… mas nem as mentes mais brilhantes da história foram perfeitas.

A descoberta do assassino foi algo que não percebi bem à primeira, mas foi brilhante e quase mortífera para a dupla, não fosse o resgate atempado da jovem polícia. De tudo isto, a parte mais parva foi para a explicação sobre as visões da jovem morta.

Em suma, teremos uma série história e policial que se baseia na exploração de um caso por episódio. Algo que, pelo menos para mim, retira boa parte da magia de uma série, pois já sabemos as linhas principais em que decorrerá cada episódio. A série não nos traz nada de novo, embora explore figuras carismáticas que, a meu ver, foram subaproveitadas ao longo do piloto.

Não é uma série brilhante, nem o vai ser e, de todos os defeitos, o que mais me irritou foi a personificação de Sherlock Holmes no seu criador, Sir Arthur Conan Doyle. De qualquer das formas, há que enaltecer os cenários e a banda sonora, os aspetos que mais sobressaem positivamente.

Rui André Pereira