Classificação

7.5
Interpretação
6.8
Argumento
8
Realização
7.3
Banda Sonora

[Contém spoilers]

Além da lenda

Após uma receção da série que podia ter sido bem melhor, com apenas 59% no Rotten Tomatoes, por exemplo, o consenso foi de que a narrativa precisa de melhorar de forma a conseguirem um argumento promissor. Neste segundo episódio, que se caracteriza essencialmente por um emergir das personagens, vemos uma clara melhoria em relação ao piloto.

Numa fase inicial, os produtores parecem estar focados a mostrar-nos diversos pontos que nós conhecemos da história de Superman e que eventualmente começarão a ser ligados ao longo da temporada. Temos a história da casa El, de como caiu em desgraça e agora iremos acompanhar o seu renascer das cinzas; temos a casa Zod, para além do vilão que conhecemos; de onde veio a Fortaleza da Solidão?; o ataque de Brainiac antes do desaparecimento do planeta e o destino de Kandor; a ligação com o presente e o papel de Adam Strange nisto tudo. Ou seja, existem muitos elementos para nos deixar excitados, agora é esperar que os produtores saibam desenvolvê-los bem durante a temporada.

Infelizmente, a personagem principal de Seg-El continua a ser aquela que menos nos motiva. Sempre de cabeça quente, a recusar-se a acreditar em tudo o que os outros dizem e agora cego na vingança pela morte dos pais. Apesar disso, o encontro final com o seu avô, Val-El, e a entrada na guilda da Ciência podem ter iniciado os primeiros passos da personagem na sua jornada no caminho correto.

Para compensar tivemos bons desenvolvimentos especialmente no que toca a Lyta-Zod e a Adam Strange. Lyta-Zod é essencial para irmos além do que o nome Zod nos invoca – aquele general autoritário cujo desejo é subjugar todos segundo os seus ideais. Lyta aparenta ser o oposto de general Zod e vai contra a sociedade elitista em que está inserida; além disso, neste episódio mostra que a sua preocupação e misericórdia não são fraquezas como a mãe acha. Será interessante ver a evolução desta personagem e ver se algo acontecerá para mudar a sua maneira de pensar e a tornará mais próxima do rígido espírito Zod.

Da mesma maneira, Adam Strange traz para a mesa um aspeto importante que é o do contexto humano. Adam funciona de certa forma como um guia, para nós público, que navega no estranho mundo de Krypton e é também essencial para avisar Seg-El de tudo o que está em jogo se eles falharem ao parar Brainiac. Não é só o destino de Krypton que está em jogo, o futuro da Terra também está nas mãos da casa El. Adam Strange foi introduzido no universo da DC Comics em Outsiders #6, 1986, pelas mãos de Julius Schwartz e Murphy Anderson. A personagem começou por ser um simples arqueólogo que foi misteriosamente teletransportado para o planeta Rann através dos Zeta-Beam. Na série, apesar de Adam achar-se já um importante herói, dá a impressão de que isso não é bem verdade e que a sua história está apenas a começar.

O carisma de Elliot Cowan reforçou a escolha acertada que fizeram para o seu papel de Daron-Vex e realça-se ainda a aura misteriosa que se está a criar à volta da Voice of Rao. Será a entidade máxima em Krypton uma força do mal, do bem ou nem uma coisa nem outra?

Continuamos ainda nesta semana a explorar a sociedade, religião e tecnologia de Krypton, sendo esta uma das maiores maravilhas da série. Depois de na semana passada termos sido reapresentados à Genesis Chamber (já antes vista no filme Man of Steel), responsável pelo nascimento dos novos kryptonianos, neste episódio temos uma curta história sobre os deuses de Krypton e como a sua sociedade passou de politeísta para monoteísta, adorando agora exclusivamente o Deus Rao. E é esta grande vertente religiosa que choca com a vertente tecnológica a que estamos mais acostumados a associar Krypton, mas que veria (ou verá) o seu auge apenas na época de Jor-El. Neste presente, onde vive Seg-El, a religião de Rao não só levou à morte do seu avô, como ao rejeitar a existência de vida fora do planeta (o que é ridículo, uma vez que o planeta possui sondas desenvolvidas o suficiente para mostrar provas concretas da existência de vida noutros planetas) põe de parte a ameaça de Brainiac e condena o planeta a uma destruição precoce.

Um defeito a apontar é na referência da Phantom Zone e da informação que a sua descoberta foi feita por Val-El e não Jor-El, como até aqui tudo indicava que assim tinha sido. Tendo essa descoberta sido um dos grandes feitos na vida do pai de Superman, parece que um dos perigos que a série começa já a mostrar será a diminuição da grandeza das personagens que estão no futuro distante.

A programação inicial da série mostra-nos uma temporada com dez episódios, estreando o terceiro já na próxima semana. Em “The Rankless Initiative” as coisas parecem aquecer e este promete ser um episódio compactado em ação. Será que Brainiac está muito mais perto do que Seg-El e Adam Strange pensam? Até lá, “In Zod we trust”!

Emanuel Candeias