The Flash – 03×23 – Finish Line (season finale)
| 28 Mai, 2017

Publicidade

[Contém spoilers]

A quebra do ódio, o sacrifício do herói

Com algumas falhas ao longo da temporada, o final da 3.ª temporada de The Flash conseguiu de toda a maneira dar-nos um episódio emocional que fechou com sucesso a missão de Barry mudar o futuro e ser o derradeiro herói ao assumir as consequências dos seus erros.

Quem apoiava a teoria de que o salvador de Iris seria HR (nos comentários de episódios passados tivemos alguém a sugerir isso mesmo) então acertou em cheio! Mais do que dar um desfecho grandioso à personagem, imortalizando-a com o seu sacrifício, a construção de como HR trocou de lugar com Iris também foi bem pensada e realizada. Todas as peças ficaram bem encaixadas, com até “HR” estar no topo do edifício com uma arma na mão, tal como Cisco tinha previsto. O mais frustrante em relação a HR foi o facto de os produtores terem-nos provocado com um plot misterioso por detrás da personagem que nunca chegou a dar em nada. Depois de três Harrison Wells diferentes em cada temporada se calhar também seria a altura de pararem com esta rotação e se fixarem no melhor Wells. O Harrison Wells da Terra-2 podia mudar-se definitivamente para a Terra-1 e apoiar diariamente a Team Flash.

O que este season finale também provou de vez é que o futuro pode de facto ser mudado e isso poderá ter repercussões importantes no que está para vir. A vitória com Iris tem assim um sabor agridoce e se é normal a felicidade de Barry, Joe e Iris também foi muito bom o contraste representado por Tracy e cujo romance com HR vem dar frutos neste final ao realçar o efeito da perda da personagem.  O sacrifício de HR veio no entanto trazer um problema que felizmente foi também tratado no episódio e deu a Barry o estatuto de herói que parece por vezes faltar-lhe. Porquê? Na derrota de Reverse Flash esteve o sacrifício de Eddie Thawne, no salvamento de Central City esteve o sacrifício de Ronnie e agora no salvamento de Iris esteve o sacrifício de HR. Mesmo na situação em que Flash derrotou Zoom este acaba por manchar as suas ações ao alterar o passado e criar o Flashpoint. Ou seja, analisando bem as batalhas de Flash sem ser com os vilões da semana, ele tem uma tendência para permanecer numa zona cinzenta e não no estabelecimento claro de super-herói. Isto é então resolvido neste final de temporada em duas fases: primeiro Barry decide quebrar o rancor contra Savitar e voluntariar-se para ajudar a salvá-lo do paradoxo temporal. Apesar de não ter sido culpa da versão presente da Team Flash, a raiva que controla Savitar deveu-se em como ele foi tratado pelas versões futuras dessas personagens, pelo que Barry decide assumir essa culpa e tratar Savitar como um verdadeiro elemento da equipa, como se se tratasse, por exemplo, de Killer Frost. Claro que a longo prazo se Savitar tivesse escolhido o lado dos bons teria que ter sido julgado e castigado pelos crimes e mortes que provocou, mas, de qualquer maneira, a atitude de Barry foi a mais heroica; e, segundo, com o derradeiro sacrifício de Barry. Ao tomar o lugar na prisão da Speed Force, ele fecha o círculo e é absolvido do pecado de ter criado o Flashpoint. Depois de finalmente conseguir tudo o que queria, Barry tem que abandonar aqueles que ama para os salvar e ao resto da cidade.

Cisco alinhar no plano de Savitar e fingir que o ajudava para depois salvar Jay foi um golpe que “matou dois coelhos de uma só cajadada”. Jay foi salvo e não esquecido e Cisco revelou ser um génio e, ao contrário do que ele afirma, também demonstra ser um herói.

Gypsy, que foi introduzida nesta temporada, proporcionou-nos grandes momentos em muitos episódios, apesar de por vezes o envolvimento da personagem no enredo ser explicado de forma desleixada. Porém, a sua ligação emocional com Cisco clarifica bem o porquê de ela aparecer neste episódio quando sentiu que este estava em perigo e fortalece os laços que existem entre os dois. A sua aparição também permitiu uma fantástica luta final de Vibe e Gypsy vs. Killer Frost.

Killer Frost teve uns momentos finais de redenção ao salvar Cisco e encontra-se agora num estado muito interessante entre Caitlin e o seu lado meta-humano. Após ter recusado a cura, descoberta pela sua mãe e por Julian, é crítico que os produtores na próxima temporada desenvolvam Killer Frost e nos elucidem sobre o turbilhão de sentimentos que lutam dentro dela.

Em termos de ação, o pico foi atingido com a grande batalha de speedsters: Flash (Barry), Flash (Jay) e Kid Flash vs Savitar. Para terminar em grande, esta lendária batalha acabou com Barry a expulsar Savitar da sua armadura e a assumir o seu controlo criando o Savitar vermelho. Wooow! Inesperado mas fatalista foi Iris ter morto Savitar. Ela que seria uma das pessoas mais afetadas pelo vilão foi capaz de lhe dar a oportunidade de se redimir, mas após este a recusar – e ainda por cima tentar assassinar o seu noivo pelas costas – penso que fez o que tinha de ser feito.

A grande dúvida que fica com o cliffhanger é de quanto tempo ficará Barry preso na Speed Force? Ao contrário do que se passou com Wally e Jay, que viveram um inferno na prisão ao reviverem continuamente o pior momento das suas vidas, penso que o que se passará com Barry será diferente. A ligação de Barry com a Speed Force é única e tendo ele parado Savitar sem criar time remnants, nem mexido mais com o tempo e tendo-se voluntariado para ocupar o lugar na prisão parece-me que será considerado que ele pagou o suficiente pelos seus pecados. Sendo assim, o tempo passado na Speed Force poderá servir para ele compreender melhor esta misteriosa dimensão e quem sabe adquirir novos poderes e conhecimento de ameaças futuras.

Coisas que queremos para a próxima temporada de The Flash:

  • Um tom mais leve e toneladas de humor: esta temporada caracterizou-se por um tom bastante negro que se adaptou bem ao tema da temporada e a Savitar, mas que contrasta com o positivismo de Barry Allen e da Team Flash
  • Um papel mais relevante de Iris e não apenas suplementar: nos últimos episódios Iris teve um papel ativo e Candice Patton pôde mostrar as suas qualidades de atriz. No entanto, no geral, a sua personagem fica em segundo plano e serve de pouco mais do que a “lightning rod” de Barry. Se Lois Lane consegue por si própria ter o carisma de suportar histórias interessantes, o mesmo pode ser feito com Iris West-Allen.
  • Que o grande vilão não seja um speedster: em três temporadas tivemos três vilões velocistas. Se nas duas primeiras fez todo o sentido, Savitar talvez tivesse sido melhor recebido numa 4.ª ou 5.ª temporada após um intermédio com outro tipo de vilões. E a questão nem é a falta de escolha, pois o Flash possui nos comics uma grande variedade de vilões diferentes e perigosos.
  • Que a revelação da identidade do vilão não seja mais uma vez guardada para o final da temporada. DeVoe foi referido neste episódio pela segunda vez na temporada, sendo que o tom que lhe é dado é o de uma grande ameaça e que trará grandes complicações à Team Flash. Será que podemos ter tido já a revelação de quem será o grande vilão da próxima temporada?
  • Que a Team Flash pare de guardar segredos, um erro recorrente que depois de toda a gente admitir não o dever ter feito não faz sentido continuar a ser usado.
  • Uma história focada em Wally. Com Barry preso na Speed Force, o início da próxima temporada é a situação ideal para o foco ser mudado temporariamente para Wally e ele assumir o manto de Flash (pode até ter direito a um novo fato com a cor vermelha!). Após ter sido praticamente ignorado neste season finale e não tendo ainda a oportunidade de se estabelecer como um super-herói e personagem relevante, é essencial que os produtores o desenvolvam.
  • Com o desaparecimento de Flash também poderá ser a altura ideal para o museu do Flash finalmente ser criado

Tal como aconteceu com Arrow, a season 3 de The Flash, e especialmente o season finale, fica num patamar inferior ao das duas primeiras temporadas. Personagens mal aproveitadas, um vilão arrastado e desperdiçado e plots que começam a ser repetitivos são as principais razões para esta perda de qualidade. De qualquer maneira, The Flash continua a ser considerada uma das melhores séries de super-heróis da atualidade e este ano foi a segunda melhor do Arrowverse. Esperemos que limando algumas pontas os produtores para o ano tragam a glória do homem mais rápido do mundo de volta. Até lá, boas corridas!

Já agora, o que acharam do final de Supergirl? Apesar de no geral ter achado a temporada bem estruturada, estes últimos episódios foram muito apressados, de certa forma confusos e com plot holes.

Nota final da temporada: 8

Emanuel Candeias

Publicidade

Populares

Calendário estreias posters grid Julho

Little House on the Prairie Uma Casa na Pradaria

Recomendamos

Séries da TV
Este Site Usa Cookies

Este site usa cookies para melhorar a experiência do usuário.Cookies são pequenos arquivos de texto colocados no seu computador pelos sites que consulta. Os sites utilizam cookies para ajudar os usuários a navegar com eficiência e executar certas funções.