Classificação

8.3
Interpretação
7.7
Argumento
7.9
Realização
8.1
Banda Sonora

Barry Allen e a Pedra Filosofal

Savitar vem arruinar o espírito de Natal da Team Flash num episódio atolado de novas informações, alguns “buracos” no enredo, e que começou com um ritmo irregular, mas que no final compensou pelo espetacular e tão esperado team-up entre o Flash original (Jay Garrick) e o Flash moderno (Barry). Tivemos um grande aprofundamento na história de Alchemy e no mito do God of Speed, Savitar, e as bases para a 2.ª metade da temporada foram edificadas.

Antes do grande crossover da CW (que funcionou particularmente bem no que diz respeito à série The Flash, tendo tido esta um papel enorme no que diz respeito aos efeitos do Flashpoint), o episódio “Killer Frost” revelou-nos que Alchemy é, na verdade, Julian. E o episódio desta semana começa muito ao estilo de Indiana Jones, mostrando o passado de Julian como um arqueólogo à procura da famosa Pedra Filosofal. Ao longo do episódio descobrimos que Savitar, aproveitando-se da morte da irmã de Julian, o usou para encontrar a dita Pedra Filosofal que, para além de criar meta-humanos, é também capaz de libertar Savitar (e este pode possuir as pessoas que abriram a caixa onde está a Pedra Filosofal). Porque escolheu Savitar especialmente Julian é algo que não foi discutido, assim como o alcance da influência da Pedra Filosofal. Também fiquei na dúvida do efeito de Savitar em Cisco mesmo antes da Pedra se encontrar em S.T.A.R. Labs. Outro momento que causou confusão foi o de Barry revelar a sua identidade secreta a Julian antes de confirmar que ele realmente estava a ser usado e não era, na verdade, um vilão. Todo o suposto de ter uma identidade secreta é evitar que os vilões saibam quem é para não atacarem as pessoas chegadas ao herói. Porém, o enredo de Julian/Alchemy foi no geral bastante bom, aprendemos sobre o seu passado e motivações, perguntas foram respondidas e outras levantadas. Julian sem a Pedra não possui qualquer tipo de poderes? Não o terá também transformado num meta-humano? O estado no final do episódio de Julian como amigo da Team Flash é um desenvolvimento interessante que não só vem devolver o emprego a Barry como tornará a vida dele mais fácil, mas também nos perguntamos qual o papel de Julian daqui para a frente e o que poderá ele oferecer de valioso à equipa? Irá chegar vivo ao fim da temporada? E claro que ter um Slytherin a explicar sobre a Pedra Filosofal foi um bónus extra para os fãs de Harry Potter.

Em nota de curiosidade, para quem leu as bandas desenhadas de The Flash Season Zero pode-se ter apercebido que o edifício Shults, que Savitar tenta usar para transformar todos os meta-humanos da timeline do Flashpoint, tem o mesmo nome que o assistente do Dr. Gavin DeMarco, o homem que acidentalmente transformou Shay Lamden no Killer Shark.

Barry decide também viajar à Terra-3 para perguntar a Jay se ele já ouviu falar de Savitar e assim conhecemos pela primeira vez a Terra do Flash da Golden Age. Têm Zepelins! Para além do regresso do ator John Wesley Shipp tivemos também brevemente a aparição de Mark Hamill como Trickster e estes trouxeram uma sensação do Flash dos anos 90, ainda nos proporcionando ver um excitante confronto entre Flash vs. Trickster (o capacete de Jay é brutal. Também quero um! Ehehe). Mais importante foi ouvirmos de Jay a história do mito de Savitar: o primeiro homem a alguma vez ter ganho poderes de velocidade e que se tornou um Deus do movimento, desafiando todos aqueles que representem uma competição ao título de mais rápido. É normal que sendo esta uma série sobre um velocista que existam muitos companheiros e vilões que também usem a velocidade para poder estar ao nível de Flash. No entanto, a fórmula começa a ficar um pouco gasta após três temporadas: Barry é o homem mais rápido do mundo só que afinal não é, pois aparece um vilão que traz mais vilões menores e que é obcecado em ser o mais rápido. Claro que embora a base dos vilões seja muito semelhante existem sempre elementos originais e diferentes que nos fazem manter o interesse em cada história nova. Sendo este vilão o suposto God of Speed esperemos que, após a sua derrota, o futuro traga um vilão distinto do habitual. Um dos pontos altos do episodio foi vermos Flash e Flash a lutarem juntos contra Savitar, apesar de terem sido basicamente derrotados em termos de força pura, foi um momento entusiasmante e com cenas bem realizadas de ação.

Tal como Harrison Wells/Eobard Thawne treinou Barry, cabe agora ao novo Wells, HR, treinar Wally, o mais recente velocista. Ele até utiliza uma adaptação da famosa expressão utilizada para Barry quando diz “Run, Wally, run”. Wally revela um grande potencial e finalmente no fim do episódio recebe o seu fato. Kid Flash está de volta. Como Jay Garrick diz, ele nunca teve um sidekick, mas Barry é famoso por ser mentor de vários velocistas mais novos. Fico ansioso para ver como se vai portar a nova dupla: Flash e Kid Flash.

Para se livrarem de Savitar e da Pedra Filosofal, a Team Flash decide atirá-la para a Speed Force. Terá sido a melhor opção tendo em conta que aprisiona um dos velocistas mais poderosos de sempre, que certamente está familiarizado com o funcionamento da Speed Force e que poderá influenciar entidades que por lá habitam (como o antigo Zoom agora transformado no Black Flash)? Só o futuro o dirá. Ou se calhar já disse… Back to the Future: in a Flash. De repente Barry vê-se onde ninguém deve ir, no futuro, onde assiste a Savitar a assassinar Iris sem o Barry do futuro poder fazer nada.

Savitar pode ser ou não ser um Deus, mas o certo é que parece saber muito sobre o futuro. Sobre o destino da Team Flash, ele disse antes de ser enviado para a Speed Force:

  • Um irá trair (o que vem logo à cabeça é HR);
  • Um vai cair (pela viagem de Barry este será Iris);
  • Um irá ter um destino pior que a morte (Caitlin a virar Killer Frost?)

Destacam-se ainda os momentos íntimos de partilha entre Caitlin e Cisco sobre os Natais felizes passados em família. E o jantar de família dos Wells também trouxe momentos afetivos e engraçados, desde HR bêbedo, o primeiro beijo de Joe e Cecille, e Caitlin usar os seus poderes para trazer um pouco de encanto à noite de Natal (foi mágico e carinhoso, o que nos deixa mais frustrados ao imaginar que Caitlin pode virar uma assassina impiedosa). Por fim, tenho que pedir o contacto dos corretores imobiliários do pessoal da CW, porque desde o apartamento de Kara, o de Felicity e agora o que Barry arranjou para dividir com Iris, não sei onde eles vão arranjar o capital para pagar uma coisa daquelas (se calhar são amigos do Phil de Modern Family, que lhes faz uns bons negócios).

“The Present” não foi um episódio excelente, mas foi bom e com certeza avassalador na quantidade de informações que nos deu e nas teorias que podemos imaginar. Qual a identidade de Savitar? O que acham da hipótese de poder ser o próprio Barry? Uma versão futura, fruto do Flashpoint e obcecado em impedir a morte de Iris… o Barry do futuro avisou que o Barry do presente não é de confiança… e se era isto que ele queria dizer? A verdade é que também teremos mais que tempo para pensar em teorias no hiatus que se segue e que apenas terminará a 17 de janeiro. “Borrowing Problems from the” Future é o título do próximo episódio. Até lá, boas corridas!

Emanuel Candeias