01x06 - Occultation

01×06 – Occultation

O Eichorst tem um homem em boxers acorrentado na cave, onde vai ocasionalmente para lhe chupar o sangue. Nem com um tipo de vampiro mais nojento nos livramos da inerente metáfora sexual ao vampirismo. Mas foi uma cena horripilantemente satisfatória, verdade seja dita.

Bem, acho que finalmente tenho um diagnóstico para The Strain: Transtorno dissociativo de identidade. Ainda não tenho a certeza qual é a “original”, mas claramente temos uma personalidade 1 e uma personalidade 2, uma delas Boa e a outra Má. Nos episódios passados vimos demasiado da personalidade Má, com raros rasgos da Boa; em “Occultation”, paradoxalmente foi a segunda, de longe, a mais presente.
É algo encorajador. O meio da temporada é um dos possíveis pontos de viragem para uma história que demarcam o tom para o que se segue. Era este o tom e nível que eu esperava de The Strain.

O que não quer dizer que não tenha havido de todo a típica estupidez a que The Strain nos tem habituado. O amigo do Gus teve porque teve que abrir o saco. Porque sim. Porque a pancada que levou do Eichorst pelos vistos não chegou para lhe cinzelar na mente que devia ficar na linha. De qualquer forma, foi infetado. RIP Idiota, não serás lembrado.

De resto, a usual estupidez foi substituída por mais credíveis (ainda que não menos irritantes,) ignorância e ceticismo. Os exterminadores não acreditaram no Vasily porque não sabiam melhor. Os polícias não acreditaram no Eph porque não sabiam melhor. Não se pode culpabilizar. Vampiros com tentáculos na boca, quem acreditaria?
É claro que não deixou de ser imensamente satisfatório quando os polícias foram papados pelo vampiro! Ou fui só eu que achei? E depois de ignorar o Eph, o namorado da ex-mulher se calhar vai pelo mesmo caminho, será? Veremos!

O episódio passou grande parte do seu tempo a focar-se numa personagem de cada vez, o que nos episódios passados não tinha sido particularmente interessante, já que nos remetia para a vida pessoal de cada um. No entanto, “Occultation” obrigou-os a confrontar mais ativamente os vampiros e a realidade da sua existência, quanto mais não tenha sido porque o Eclipse foi uma festa de invasão da cidade.

O Setrakian continuou a sua missão de percorrer a lista dos passageiros do avião e ir às suas casas eliminá-los. Por esta altura, as cabeças de vampiros já aumentaram tanto quanto o número de familiares ou amigos que tenham tido a azar de estar presentes quando cada vítima vampírica se reergueu.
Colocar o Setrakian no Holocausto significa que ele tem uns 80-90 anos. Talvez seja abusar um pouquinho da nossa boa fé mantê-lo nesta vida de caçador. E parece que The Strain já começou a tomar passos em relação a isso, no momento em que ele começa a sofrer do coração, ficando incapaz de eliminar todos os vampiros na casa da sua usual forma. Foi forçado a pegar fogo a toda a casa para conseguir destruí-los.
Seria talvez mais interessante torná-lo um mentor para os nossos outros protagonistas, o Eph e a Nora, que agora parecem ter decidido aliar-se a ele definitivamente.

O Vasily foi ruminando o que viu, a tentar perceber o que sabe. E, mais uma vez, foi bastante mais perspicaz que os restantes.  Rapidamente percebeu o efeito da luz solar nos vampiros e usou-a para matar o chefe trnasformado. E mesmo quando descobriu a sua colega que tinha uma filha, transformada, a sua resignação foi rápida, expondo-a também à luz. Destaca-se, outra vez, o trabalho do Kevin Durand, que nos passou todo o processo emocional e mental do Vasily nesta cena quase muda, através de expressões faciais.
E o nosso exterminador ainda nos deu mais um bom momento na visita que fez pai. Foi essencialmente um momento de exposição da história do personagem que, pelos vistos, escolheu a profissão que tem apesar de lhe ter sido oferecida uma bolsa para a universidade. Talvez para contrariar o pai? Pelo menos o azedume entre ambos assim fez parecer. O esforço do Fet para que o pai e a mãe saíssem da cidade o quanto antes, foi várias vezes superior a qualquer interação do Eph com a sua família, conseguindo até ser bastante emocional.

O Gus não foi o ponto baixo do episódio, por muito que custe acreditar. A luta com o Eichorst foi até um ponto alto, com o Gus a começar a perceber o monstro e a entrar no mesmo mundo que os restantes personagens. Pelo final, quando ele e o amigo são atacados, já todos os nossos personagens parecem estar com a mesmo postura de pré-combate.

Este episódio soube a peças a serem colocadas no tabuleiro para se iniciar o jogo. The Strain faria bem em mover-se bastante no próximo episódio para fazer jus ao momentum que acabou de criar. Ainda existe esperança para esta série!

Outras coisas:

– Minuciosidades picuinhas: Dão-se ao trabalho de meter comida e bebida ao pé da vítima do Eichorst para dar credibilidade(?). Ok, fantástico. Mas e a sanita? Ah pois! Se é para fazer é para fazer como deve ser!

– A ex-mulher do Eph ecoou supostas palavras antigas dele, “Não se consegue fugir de um vírus”. Foram palavras que desenharam de forma simples a inevitabilidade da propagação da estirpe vampírica e que a série se tem desdobrado em tentar fazer sentir, mas nunca com tanto sucesso como aqui.

– A ex do Eph decidiu ficar na cidade. Enfim..

– Não percebo qual a importância dos 4 “sobreviventes” do avião. Não parecem diferir em NADA dos “mortos”. Foi só para as cenas de transformação?

Nota: 8/10

André F Dias