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O primeiro dia da Comic Con Portugal 2019 começou em grande com um painel de duas das estrelas ibéricas da atualidade: Itziar Ituño e Esther Acebo, protagonistas de La Casa de Papel

Painel e conferência de imprensa:

As atrizes subiram ao palco recebidas por uma maré de aplausos por parte da plateia. Moderado por Rita Rugeroni, animadora/locutora da Rádio Comercial, o painel começou com uma conversa entre as três, onde Ituño e Acebo falaram das expectativas dos papéis que iam interpretar, das suas experiências nas gravações da série e o impacto que o sucesso desta teve nas suas vidas pessoais.

Itziar revelou que na altura em que soube da oportunidade de vir a interpretar Raquel Murillo estava ocupada com outros projetos e que a vontade de aceitar o papel não era muita. Contudo, era importante fazer na mesma o casting, de forma a expor o seu trabalho, e nesse mesmo dia acabou por ficar com o papel. Já Esther, afirmou que foi com muito entusiasmo que fez o primeiro casting para o papel de Monica Gaztambide, sendo que o feedback inicial que teve foi o de que o seu perfil não se encaixava muito bem na personagem devido ao seu cabelo encaracolado. Fez um segundo teste para que os diretores percebessem se realmente fazia sentido escolhê-la ou não, acabando por ser à terceira que foi selecionada, depois de um teste de química com Jaime Lorente (Denver).

Ambas relembraram que se divertiram bastante nas gravações e, respondendo às perguntas dos fãs, elegeram a cena mais difícil de gravar. Para Itziar foi o momento em que El Professor está amarrado e esta utiliza um polígrafo para perceber se está a dizer a verdade. Para Esther, quando Monica decide tomar o comprimido abortivo, tem de caminhar perante Berlin com um telemóvel escondido no macacão e este toca, assim como toda a cena seguinte da discussão entre ela e Denver, que foi gravada em sequência.

Relativamente ao reconhecimento que as atrizes passaram a ter, tanto uma como outra referiram que foi um boom repentino e que coisas banais do dia a dia, como ir ao supermercado ou a um restaurante com a família, já não são a mesma coisa, pois toda a gente as reconhece e aborda. Confessam ainda que para as suas famílias é um pouco estranho isso acontecer e que, por vezes, se as pessoas estiverem a olhar intensamente para elas a tentarem confirmar se são de facto Lisboa e Estocolmo de La Casa de Papel, disfarçam e seguem caminho como se não fosse nada com elas.

Quanto à conferência de imprensa, Itziar Ituño revelou que o maior desafio de interpretar Raquel Murillo foi dar vida a uma mulher que já sofreu de violência doméstica às mãos do marido e também o facto de ela se apaixonar pelo ‘inimigo’, sendo uma agente da polícia. Para Esther Acebo foi deparar-se com uma personagem que aparentemente é uma coisa, mas que se vai transformando noutra. Quando questionada por nós se crê que Monica tem mesmo Síndrome de Estocolmo ou se o amor que sente por Denver é verdadeiro, a atriz respondeu que inicialmente acreditava mesmo que a sua personagem estava apaixonada e só quando teve uma conversa com o realizador e viu os episódios é que percebeu que ela estava a sofrer da síndrome.

As atrizes agradeceram o facto de todos estarem a falar com elas em espanhol, pois estavam um pouco preocupadas por terem de tentar perceber português ou falar inglês. Referiram ainda a porta que se abriu para a língua castelhana com a série – e também para o alemão e o francês – devido às produções que são hoje feitas na Europa, levando estas línguas a todo o mundo. Sobre o tema dos assaltos, Itziar disse achar engraçado terem havido acontecimentos semelhantes ao da série no México e no Brasil, enquanto Esther acha difícil na vida real sentir-se tanta empatia por criminosos.

Ambas afirmaram que um dos medos dos atores que interpretam personagens de sucesso é ficarem presos a elas e que esse é sempre um risco que se corre, mas outros projetos aparecerão e há que viver o agora. Ainda assim, um dos benefícios é poderem agora escolher os papéis que querem interpretar, ao invés de se sujeitarem ao que aparece. Esther confessou querer interpretar outros géneros, como comédias românticas, para se aliviar do peso de gravações com explosões e armas.