Completamente inútil. Se tivesse duas palavras para descrever The Punisher: One Last Kill (O Justiceiro: Uma Última Morte), especial que o Disney+ decidiu lançar como um Marvel Special Presentation, seriam estas.
Os cerca de 50 minutos desta apresentação especial devolvem-nos Frank Castle, aparentemente após a sua aparição na 1ª temporada de Daredevil: Born Again e potencialmente num momento temporal simultâneo à sua ausência da 2.ª temporada de Born Again. Enquanto Hell’s Kitchen, em Daredevil, está a ser assolada por medo, revolta e violência, aqui vemos outra zona de Nova Iorque, Little Sicily, já num estado de violência e anarquia completa após a morte de vários membros de uma das famílias mafiosas que liderava a criminalidade na zona. Contudo, este especial não toca minimamente na relação entre as histórias de Frank Castle e Matthew Murdock, nem em Wilson Fisk, mayor da cidade de Nova Iorque, nem na “Anti-Vigilante Task Force” que rouba a imagem de marca de Castle, com os coletes pretos e caveira branca.
Este especial, que mais parece um episódio piloto de uma nova temporada sobre o personagem protagonizado por Jon Bernthal, funciona de modo isolado. Foca-se no estado crítico de stresse-pós traumático e colapso mental de Frank Castle durante os primeiros 15 a 20 minutos e depois… a violência típica de The Punisher. Só violência, sangue e matança. Parece ser este o principal objetivo de The Punisher: One Last Kill: sequências de ação, luta e morte que, por não estarem envoltas numa premissa com mais sentido, parecem só exageradas, gratuitas e inúteis. Há sequências muito boas, atenção, não desvalorizemos esta parte, mas…
A história e motivos são fracos. Somos introduzidos de modo breve e desleixado à matriarca da assassinada família Gnucci, que é a única responsável por nos expor os acontecimentos, num discurso que, até curto, consegue ser mau. Aquela sua ameaça final de Ma Gnucci para Frank, “I’ll be doing ‘the punishing’ now”, é o epítome desse mau argumento e talvez má realização. De resto, ouvimos mais grunhidos e gritos de Frank do que propriamente palavras e diálogo construtivo ao longo de todo o filme.
Em resumo, apesar de ter coisas positivas e de prometer recentrar Castle, fazendo-o assumir que precisa de ajuda e de encontrar um propósito, rapidamente a premissa descamba, perde este foco e introduz forçadamente os Gnucci e a sua nova vilã-matriarca, Ma Gnucci, com pouco foco na história e mais nas cenas de violência: sequências de ação longas e brutais, luta, pancadaria, sangue e overkill extremos.
Ver ou não ver este especial é, assim, “igual ao litro”. Não se perde nada, não se ganha nada. Acrescenta zero à história do Justiceiro já desenvolvida, tanto na série da Netflix como na 1.ª temporada de Daredevil: Born Again. Agora resta saber qual o verdadeiro propósito de The Punisher: One Last Kill. Só para posicionar Frank Castle espacialmente e mentalmente para a sua aparição no futuro filme Spider-Man: Brand New Day?
Em todo o caso, embora possa agradar a muitos pelas sequências de ação e violência, por aqui não convenceu e deixou a sensação amarga de que Frank Castle, continuando nesta linha, pouco mais tem a oferecer enquanto protagonista, apenas cenas de PTSD e violência extrema. Pouco mais parece haver a explorar no personagem, que aparenta ter a sua história exausta.