Estreou esta semana na Netflix a minissérie The Witness (A Única Testemunha), um drama baseado na história verídica do assassinato e violação de Rachel Nickell em frente ao filho, um menino de dois anos, num parque do sudoeste de Londres, em plena luz do dia, em 1992. São muitas as séries sobre crimes – inclusive inspiradas em acontecimentos reais – que já vi, mas há algo nesta que atinge o espectador de uma maneira diferente. Já nem vamos falar sobre como é que alguém é capaz de cometer um crime destes, mas fazer isto à frente de uma criança de colo? E o atrevimento de o fazer num sítio cheio de gente como supostamente é um parque de manhã… Não vemos nada do crime e se o motivo foi a série querer distanciar-se de uma posição sensacionalista, apoio totalmente a decisão. No entanto, suponho que também possa ser porque a polícia não tinha quaisquer pistas sobre a identidade do criminoso, portanto nós espectadores também estamos a zeros. De qualquer das formas, achei uma opção criativa interessante.
É impossível assistir-se ao episódio sem ficar com uma enorme vontade de escudar Alex, o menino que perdeu a mãe e que ainda por cima viu tudo, de toda a situação. O circo mediático que se gera à volta do homicídio é revoltante! Aquele pai e aquela criança não estão já a passar por uma provação que chegue para terem que levar com os meios de comunicação em cima deles? Estão só a fazer o trabalho deles? Estão, mas podia haver um pingo de decência. Por um lado, temos os responsáveis pela investigação policial a agir de uma forma muito humana com esta família enlutada e isso é bom de se ver.
A série revela-se bastante interessante de um ponto de vista emotivo por tudo o que está em causa, mas a investigação do caso não deixa de ser mais do mesmo e nem sequer é particularmente interessante. O episódio também peca por ser um bocadinho longo, com mais de 50 minutos, mas pelo menos temos um elenco bastante bom, com destaque para o pequeno Jahsaiah Williams. Os atores infantis, especialmente os mais pequenos, muitas vezes não são grande coisa, mas este miúdo esteve incrivelmente bem. No entanto, escapou-me alguma coisa ou então o departamento de casting estava distraído? Alex não devia estar no início da adolescência, visto que passou uma década? O ator tem mais de 20 anos! Ainda assim, nem em tudo o departamento esteve mal, porque as semelhanças físicas entre o pequeno Alex e o pai são imensas.
Fica a curiosidade para ver o restante, até porque a série tem apenas três episódios, mas mais para descobrir como tudo se passou do que pela jornada que a série poderá significar. A Netflix lançou ainda um documentário, O Assassinato de Rachel Nickell, sobre o caso real.