A 3.ª temporada de Rabo de Peixe avança três anos no tempo, acompanhando o regresso de Eduardo (José Condessa) a Rabo de Peixe após sair da prisão. Juntamente com Rafael (Rodrigo Tomás), Sílvia (Helena Caldeira) e Carlinhos (André Leitão), cria a Justiça da Noite, um grupo que tem como intuito principal descobrir quem roubou a droga, perceber o que realmente aconteceu e expor toda a rede de corrupção que opera em Rabo de Peixe. À medida que a investigação avança, torna-se cada vez mais evidente que tudo isto vai muito além da droga e do dinheiro que esta movimenta, estando também relacionado com interesses económicos e políticos.
Depois de terminar esta última temporada, fiquei com sentimentos algo contraditórios. Por um lado, acho que esta 3.ª temporada tinha muito potencial e, enquanto via os episódios, sentia precisamente isso. No entanto, tendo em conta o último episódio, ainda por cima depois de um episódio tão intenso como o quinto, fiquei com a sensação que o final acabou por ficar um pouco aquém daquilo que a temporada prometia. Sinto que faltou desenvolver melhor alguns pontos importantes da narrativa e talvez mais um episódio tivesse ajudado a resolver esse problema.
Por outro lado, e tendo em conta a intensidade da temporada anterior relativamente à perceção do perigo, confesso que me foi difícil levar totalmente a sério a Justiça da Noite (ou, como uma colega do SdTV lhes chamou, e bem, Avengers da Tuga), principalmente com aquelas máscaras. O que eu me ri quando os vi naqueles preparos. Além disso, em situações de tensão houve momentos um tanto ou quanto hilariantes. Apesar de ter achado engraçado, a verdade é que isso acaba por retirar alguma seriedade à história.
Ainda assim, e mesmo que estivesse à espera de mais do último episódio, e de não ter gostado de um ou outro ponto, gostei muito do discurso final dos nossos quatro protagonistas. Embora nem sempre tenha concordado com as suas decisões ou métodos, é impossível não criar uma ligação com estas personagens, principalmente ao longo desta última temporada, e não acabar por torcer por eles no final.
À parte da história, houve pequenos detalhes técnicos que gostei bastante. Destaco especialmente a ilustração apresentada no primeiro episódio e a forma como, no terceiro, o nome da série surge em estilo graffiti, algo que conjugou perfeitamente com o que estava a ser mostrado na introdução do episódio. A banda sonora também merece, definitivamente, ser destacada.
Embora esperasse mais do desfecho de Rabo de Peixe, no geral não deixa de ser uma boa série que cumpre aquilo a que se propõe, isto é, entreter-nos e deixar-nos presos ao que está a acontecer. É verdade que tem as suas falhas e algumas delas acabam por condicionar a narrativa num todo, mas ainda assim não fica atrás de muitas séries internacionais.
Melhor Episódio:
Love (Episódio 5) – Ainda durante a visualização deste episódio, e sem saber sequer como iria terminar a temporada, já tinha a certeza que o iria escolher como destaque. Foi, sem dúvida, um dos episódios mais tensos e obscuros (cinematograficamente falando também) de toda a temporada, quiçá de toda a série, e um dos mais bem cotados no IMDB. E totalmente merecido! É neste episódio que finalmente ficamos a saber o que aconteceu à filha da inspetora, desaparecida há três anos, já para não falar daquele desfecho.
Personagem de destaque:
Eduardo – Sinto que, desta vez, qualquer um dos quatro elementos da Justiça da Noite poderia ter sido escolhido, no entanto, depois de muito ponderar, acabei por me decidir por Eduardo. Após três anos preso, volta com a intenção de fazer o correto desta vez (por mais duvidosos e questionáveis que sejam os seus métodos) e é ele o impulsionador da Justiça da Noite.