Classificação

8
Interpertação
7
Argumento
6
Realização
10
Banda Sonora

Estreou a nova produção da Netflix What/If. Estrelada por Renée Zellweger, que interpreta Anne Montgomery, uma investidora que faz uma proposta bem tentadora ao casal Lisa (Jane Levy) e Sean Donovan (Blake Jenner).

[Spoilers!!!]

Quando vi o trailer, o elenco e a premissa de What/If, fiquei muito entusiasmada com esta nova produção. O elenco é bom, com principal destaque para Renée, que assume um papel diferente daquele que lhe deu mais fama, a historia, que promete ser uma antologia, envolve questões morais e sobretudo por ser uma série mais direcionada para o público adulto, pareciam reunir as condições para mais um excelente produto Netflix. Mas ao fim de 20 minutos a desilusão com esta produção já era o sentimento que mais tinha em relação a esta nova série.

What/If até começa muito bem, com Anne a gravar umas palavras para o seu novo livro sobre destino, ambição, livre-arbítrio e o que somos verdadeiramente capazes para alcançar aquilo que mais desejamos. Ficamos a pensar nas palavras daquela que é considerada a investidora mais agressiva da cidade, enquanto somos apresentados ao casal “modelo” Lisa e Sean Donovan. Lisa fundou uma empresa de investigação na área da medicina que está com problemas por falta de investimento. Sean é socorrista na cidade e trabalha com o seu melhor amigo Tood (Keith Powers). Este último é casado com uma médica, Angela (Samantha Marie Ware) que tem um caso com o cirurgião chefe do hospital onde trabalha. Para completar o elenco secundário temos ainda Marcos (Juan Castano), irmão adotivo de Lisa, que namora com Lionel (Jonh Clarence Stewart).

Após ver recusadas todas as ajudas de outros investidores para a sua empresa e afundada em dívidas que põem em causa a vida da sua família, Lisa fica devastada e vai ter com Sean, já alcoolizada, ao bar onde ele trabalha. Então o rapaz é socorrista e trabalha num bar?! Fiquei tão confusa quanto vos neste ponto, já que no resto do piloto e episódio seguinte este part-time nunca mais é mencionado. Nesse mesmo bar está Anne, que acaba por ouvir a conversa e depois de Lisa sair, mete conversa com Sean e acaba por convidar o casal para um festa no dia seguinte. É nesta festa que acontece a proposta: Anne financia a empresa de Lisa, se esta aceitar que a investidora passe uma noite com Sean.

Depois de muitas séries que já vi, percebi logo que aquele encontro no bar não era por acaso, por isso a desilusão começa aqui. Tudo foi muito previsível depois disto. O casal aceita a oferta, tenta voltar atrás no último minuto, mas não consegue, Sean fica misterioso quanto ao que se passou, Lisa sente-se culpa por ter “vendido” o marido, culminando com a última cena em que vemos que a escolha dos dois não foi um mero acaso de Anne.

Para mim este é o principal problema de What/If, a previsibilidade de tudo aquilo que estamos a assistir. É tudo muito denunciado e mesmo antes de acontecer já sabemos quais as decisões das personagens e o porque das suas escolhas. É demasiado óbvio que Sean tem um passado obscuro que esconde da mulher e que é Anne que vai despertar em Lisa o seu lado mais obscuro. Mesmo esta Anne, no papel de mulher poderosa, não é totalmente convincente. Falta à personagem um pouco mais de presença e poder. Esperamos que todas as cenas em que participa seja dominados por si, mas isso não acontece.

Salva-se as histórias do resto do elenco. O casal Tood e Angela vão ter lidar com a traição desta e gravidez que não sabemos quem é o pai. E Marcos e Lionel que apresentam uma relação bem construída que vai proporcionar várias descobertas a Marcos, já que aos 30 anos está a viver a sua primeira relação seria. Talvez sejam os ponto que me vão fazer acompanhar o resto da história.

No final do piloto ainda foi ver o segundo episódio para tirar todas as dúvidas. Podia ter sido eu que não tivesse gostado do que tinha visto, mas os clichés e a falta de elementos surpresas mantêm-se. É pena porque o elenco e a história em si até tinham boas hipóteses de trazer algo novo, mas de fato não foi uma escolha muito feliz. Mas vejam e tirem as vossas dúvidas.

P.S.: Atribui nota 10 a banda sonora porque na cena final vemos Anne a queimar fotografias do casal enquanto ouvimos a música do genérico da série Vikings. Achei mesmo irónico!!!

Catarina Lameirinhas