Classificação

4
Interpretação
3
Argumento
5
Realização
2
Banda Sonora

Temporada: 1

Número de episódios: 20

Contém spoilers!

Well-Intended Love é uma série original Netflix chinesa que conta a história de Xia Lin (Wang Shuang), uma atriz que descobre que tem leucemia e que descobre que tem um dador compatível, Ling Yizhou (Kaicheng Xu), o dono de uma empresa, mas que este não lhe quer doar a medula.

Esta é a primeira série chinesa que alguma vez vi e admito que não ia com grandes expectativas. Este género de séries nunca me chamou muito a atenção, pois parecem sempre mini-novelas. E esta não foge à regra. Sempre com um tom meio cómico, toda a série se desenrola à volta das aventuras e desventuras da relação de Xia Lin com Ling Yizhou e as pessoas que os rodeiam, não faltando, claro, a vilã que os quer separar.

Este drama/comédia não traz nada de novo ao género. Com uma história bastante simples de seguir e com reviravoltas que deixam o telespectador entusiasmado, mas apenas por alguns momentos, Well-Intended Love não agarra o público ao ecrã.

(Quase) todos os cenários nos mostravam espaços bem arrumados e com cores bastante claras, privilegiando o branco e os tons suaves, transmitindo deste modo a ideia de limpeza. Também reforçam a ideia que temos dos países asiáticos: seguem rotinas bastante rígidsa e são uma cultura bastante tradicional e com várias regras. O exemplo de tirar os sapatos quando se chega a casa é uma delas. As formas de tratamento entre eles também são todas bastante formais e são poucas as personagens extrovertidas e que conseguem demonstrar afeto. São quase todos muito mais focados no trabalho e impulsionados pelo desejo de terem sucesso.

Em algumas personagens, a mulher ainda é representada como como um ser frágil e alguém que precisa de um homem para a sustentar. O facto de a Xia Lin engravidar e de a partir daí quase não a deixarem fazer nada é uma boa representação disso. Por outro lado, temos mulheres que estão no poder e em cargos de importância, mas são sempre representadas como pessoas frias e brutas, fazendo com que as raparigas ou mulheres que estão a ver a série não se consigam identificar com elas. Outro estereótipo passado pela série é o facto de os meninos estarem destinados a fazer uma coisa e as meninas outras, como diz a seguinte citação do episódio 16: “Se for menina, posso ensinar-lhe boas maneiras e a cozinhar. (…) Se for menino, posso ensinar-lhe outras coisas. Tem de saber lutar.” Penso que hoje em dia, nas sociedades orientais, ainda existe muito esta ideia de separar a forma como uma menina/mulher e um menino/homem devem ser, como se devem comportar, vestir, etc. Apesar de nas sociedades  ocidentais ainda existir muito esta divisão, como fazerem roupas cor-de-rosa e vestidos de princesas para meninas e roupa azul com os PJ Masks para meninos, não é tão notória como na China. O facto de o Wen Li ter a casa maioritariamente decorada de cor-de-rosa faz com que Jia Fei assuma imediatamente que ele é homossexual, o que não é verdade.

A relação de Chu Yan com Xia Lin é, sem dúvida, a parte mais interessante de toda a série. Chu Yan está apaixonado por Xia Lin, mas ela é mulher do seu melhor amigo, por isso não avança, permanecendo sempre amigo dela e sem lhe revelar o que verdadeiramente sente. Apenas nestes momentos é que consegui sentir que os atores estavam a passar alguma emoção. A forma de interpretação deles é tão fria que parece que estão ali meramente a ler as falas que estão no guião, por isso era sempre uma lufada de ar fresco quando estes dois contracenavam.

Resumindo, as minhas suspeitas foram confirmadas: um argumento simples, pouco cativante e com atores com poucas capacidades para transmitir emoções. Contudo, sei que há público para esta série e de certeza que os fãs do género vão gostar. Para mim, é demasiado simples e sem conteúdo.

Melhor episódio:

Episódio 13 – Só dois episódios é que, de certa forma, me conseguiram prender ao ecrã e este foi um deles. Supostamente, Chu Yan foi assassinado e todos tentam descobrir quem foi o assassino e por que razão o fez. Um mini-episódio policial que trouxe algo de novo a um argumento enfadonho.

Personagem de destaque:

Chu Yan – Foi a personagem que mais me conseguiu cativar. Com um estilo mais descontraído e caloroso, conseguiu destacar-se face às restantes personagens.

Cláudia Bilé