Classificação

8.3
Interpretação
7.8
Argumento
8.5
Realização
8.2
Banda Sonora

[Contém Spoilers]

Esta semana marcou o final da 5.ª temporada de Vikings. O título prometia algo de profético, definitivo e brutal. Afinal de contas Ragnarok é o nome que a mitologia grega dá a uma série de eventos catastróficos que ocorrem na sequência da morte dos seus principais deuses. Os ingredientes para esse sugerido desfecho eram a grande batalha de Ivar contra a brigada anti-Ivar formada liderada por Bjorn, Harald Finehair e Hvitserk e apesar da “promessa“ não ter sido cumprida, houve vários pontos positivos a destacar em Ragnarok.

Posso começar por dizer que considerei este como um dos melhores episódios desta segunda metade, talvez a par de “Hell” há umas semanas atrás. E o melhor nem veio da batalha em si. Para ser honesto, já assisti a confrontos bem mais espectaculares noutros momentos da série. A batalha iniciou-se de modo muito precipitado, com o “poderoso” exército a “entregar-se” a uma estratégia mais perspicaz e cheia de recursos de defesa inesperados do lado de Ivar .

Na primeira investida parecia Bjorn contra o mundo, rodeado de soldados fracos e sem qualquer disciplina bélica. Mas no meio dessa investida pouco consistente houve um momento de que gostei particularmente, o princípio da afirmação de Bjorn como “dono” do episódio – ganhou-o a partir desse momento quando falou do coração para o seu povo, os amigos de infância, os cidadãos do reino que o seu pai construiu. Gosto também da dinâmica de Bjorn e da sua mulher, no campo de batalha. Magnus também teve aqui um bom momento, de coragem digna de Ragnar, quando encontrou o seu lugar e propósito, pena que não tenha durado muito.

Por outro lado, destaco pela negativa um Harald apagado – já o vi bem mais implacável em batalhas passadas, e Hvitserk – The Seer previa grandes feitos para ele, mas por enquanto continua a ser o filho de Ragnar com menos história para contar… E Ubbe e Lagertha que vieram apanhar as “canas” no final da festa? Desiludido com a pouca presença e destaque destes quatro, sobretudo Ubbe e Lagertha.

Por oposição, para Freydis foi-lhe concedido um importante papel, determinante para o resultado final da batalha, contribuindo para um interessante volte-face que resultou no desfecho que eu desejava, com a afirmação do sucessor de Ragnar na liderança da série – longa vida ao rei Bjorn, já era tempo!

Ivar dá-me uma mistura de sentimentos – o desempenho de Alex Andersen é excelente, tanto é que cada vez Ivar me irrita mais, mas de certo modo ainda bem que escapou – tenho um bom motivo para desejar assistir à derradeira temporada, vou continuar a torcer para que ele tenha os dias contados.

Considero que este conseguiu ser dos episódios mais consistentes porque finalmente foi eliminado o ruído, isto é, acabaram-se, pelo menos para já, os arcos e núcleos pouco relevantes que só servem para dispersar a ação – não houve mais Inglaterra, não voltamos à terra prometida de Floki, os secundários saíram de cena, agora o jogo é entre os que realmente importam, e é por esses que ainda vejo a série, e são esses que me fazem acreditar numa temporada final de bom nível.

E como o melhor se deixa para o final, permitam-me elogiar a genial cena final de Bjorn – chegámos a Ragnarok, o cenário subitamente transformou-se numa pilha de corpos e os escritores da série brincaram com as nossas emoções, despoletando a dúvida sobre o significado daqueles breves instantes. Tinha sido tudo um sonho? Uma profecia? Estávamos a ver o futuro? Nesta cena digna de louvores, o novo rei, e muito bem acompanhado… Por mim teria fechado o episódio por aí e já nem tinha mostrado o foragido Ivar – mas percebo que o mostrem para nos sugerir o que poderá estar no centro da trama quando a série regressar.

Agora que a primeira temporada sem Travis Fimmel terminou posso fazer um balanço mais sustentado de um modo geral – começo por dizer que nos primeiros episódios da primeira metade da temporada, e depois de muitas dúvidas sobre o que poderia ser a série sem Ragnar, fiquei agradavelmente surpreendido. Bishop aparecia como uma personagem diferente de todas as outras, um revolucionário, um grande reforço para as batalhas e com ideias muito próprias. Tínhamos também a trama das lutas entre irmãos com uma tensão crescente ao longo dos episódios à medida que o confronto se aproximava, o que mantinha a série com um bom ritmo. Mas a dada altura, a ação começou a dispersar, houve decisões de difícil compreensão e que enfraqueceram a construção das personagens com várias mudanças de lado pouco justificadas – Bjorn partiu numa demanda com pouco nexo e sem consequência prática nenhuma, Ivar cresceu a pulso sem motivo aparente e com o seu handicap a oscilar várias vezes entre o “boneless que rasteja” e o “viking que teve uma lesão desportiva e anda com uma canadiana”, Rolo apareceu para receber o seu cheque de participação especial e foi à vida dele, perdeu-se imenso tempo na história sem fim de Floki e os tempos em Inglaterra trouxeram muito pouco de relevante!

Mas novos tempos se avizinham – agora é só entre vikings – há finalmente um sucessor digno e conto que a melhoria neste final se possa perpetuar para o último regresso de Vikings. All Hail King Bjorn Ironside!!

André Borrego