Classificação

8.1
Interpretação
8.4
Argumento
9.2
Realização
8
Banda Sonora

[Contém Spoilers]

Pelos primeiros 20-25 minutos de episódio, temi que Hell se somasse aos restantes quatro episódios como outro sem “identidade” viking e sem capacidade de nos ficar na memória, não adicionando valor ao que foi trilhado até aqui, mas um volte-face rumo a uma batalha bem coreografada e construída de um modo inovador para manter o resultado final oculto criou um ímpeto que fez deste um episódio de qualidade superior e com forte impacto para o futuro da série.

Começámos com Ivar, em Kattegat, que tenta entreter-nos com as suas mentiras, enquanto aguarda o nascimento do filho que não é seu. Ainda há alguém com paciência para aturar este falso-deus e as suas mentiras e ambições vagas e inertes? Depois da vitória no final da primeira metade da série, Ivar e o seu exército estavam em condições de partir à conquista e alargarem o seu domínio em busca de poder e glória, mas a storyline desenvolveu-se no sentido oposto, o desejo de poder tem-se ficado pelas palavras e por ações internas que não só não reforçam a força de Ivar, como ridicularizam a sua imagem perante o seu povo e face aos fãs da série.

A esperança de interesse da série residia em Wessex e foi justamente aí que finalmente tivemos Vikings! De um lado, os pagões liderados por Harald Finehair e com um reforço de última hora, Magnus, o filho de Ragnar que não encontrou apoiantes para a sua causa no grupo de Lagertha, versus um exército cristão com alguns vikings “convertidos”, prontos a ajudar a fazer a diferença, Bjorn, Hubbe e Lagertha.

Ressalvo em primeiro lugar que a batalha teve uma fotografia extraordinária, sobretudo na breve cena de início de batalha, com fogo a envolver o “tabuleiro” e com o avançar destemido das tropas rumo ao embate!

A apresentação de batalha em modelo de flashbacks não foi novidade – já o tínhamos visto anteriormente na série. No entanto, o que deu o carácter inovador e que conseguiu criar um suspense e dúvida crescentes quanto ao resultado final foi o discurso de um Alfred ensanguentado no pós-batalha: aí sim o episódio foi surpreendente e manteve o interesse na batalha aceso até à derradeira revelação. Sempre pensei que o exército de Alfred saísse vencedor, mas o modo como a cena foi montada conseguiu gerar uma dúvida cativante. Resta-nos saber qual será a reação de Ivar ao regresso do derrotado Finehair.

A batalha resultou na perda de mais uma personagem central da série – tivemos de nos despedir do Bispo Heahmund, um guerreiro fervoroso, com motivações peculiares, mas implacável com uma espada na mão e que foi, quanto a mim, a melhor personagem desde que perdemos Ragnar. Confesso que fiquei surpreso, não contava que perdêssemos esta personagem nesta fase, mas a série precisava de um acontecimento marcante que elevasse as emoções e tensões que estão demasiado monótonas desde o regresso. É pena que tivesse de ser Heahmund o sacrificado, mas teve uma boa última cena, ainda que ficasse a faltar uma despedida em condições do seu último amor…

Num momento em que tenho achado que tem havido pouco Bjorn e pouca Lagertha e sem Floki na ação central, sem o aparecimento de novas personagens marcantes e com o desaparecimento de Haehmund, o bom momento originado por este episódio poderá ser passageiro devido a uma carência de líderes para a série. No entanto, o desaparecimento de Lagertha e a revelação da mãe de Alfred ao filho deixam pontas soltas que me deixam, de certo modo, ansioso pelo próximo episódio.

André Borrego