Classificação

9
Interpretação
8.5
Argumento
8.5
Realização
8.5
Banda Sonora

“Em que é que se mede a vida das pessoas? Em bens? Em dinheiro? Em estatuto social? Não. É o amor que nos define. O amor que recebemos, mas sobretudo o amor que damos.”

E é com esta fantástica reflexão sobre o valor da vida que se inicia a mais recente aposta da RTP1: Vidago Palace. A ação decorre em Trás-os-Montes, no conceituado Vidago Palace, durante o verão de 1936.

Carlota (Mikaela Lupo) está de casamento marcado com César Augusto (Pedro Barroso), mas o seu coração pertence a Pedro (David Seijo). O problema é: Carlota é filha de dois condes, Lívia (Anabela Teixeira) e Martim Vimeiro (Marcantonio Del Carlo), que estão falidos, e Pedro é um simples empregado, descendente de espanhóis, e o seu pai Alberto (António Mourelos) é o recepcionista do hotel e a sua mãe Julia (Cristina Homem de Mello) é dona de casa. Já César Augusto é filho de milionários. O seu pai, Bonifácio da Silva (João Didelet), emigrou para o Brasil bastante novo e casou com Benvinda da Silva (Margarida Marinho), uma mulher excêntrica apaixonada pela cultura brasileira. Na família Silva existe ainda São (Beatriz Barosa), a filha mais nova, uma jovem bem disposta, culta e à frente do seu tempo.

Durante o episódio, descobrimos que Carlota e Pedro se conheceram durante um mergulho no rio, no início do verão, e, por algum motivo, a jovem foi obrigada a voltar a Lisboa durante duas semanas e, quando regressou, Pedro tinha partido para Espanha para ajudar na Guerra Civil. Enquanto isso, o jovem recebe a tarefa de trazer em segurança para Portugal Xerardo Trancoso (Sergio Quintana) e Dolores Câncio (Sheyla Fariña), dois prisioneiros políticos foragidos. Já de regresso a Vidago, Carlota lamenta a partida do seu amado enquanto tem de lidar com os pais, o futuro noivo e os futuros sogros. Descobrimos que a sua mãe, Lívia, sabe do romance entre Carlota e Pedro e que poderá de alguma forma estar envolvida na separação de ambos.

O Hotel está ainda repleto de personagens excêntricas como as irmãs Gertrudes (Maria Henrique) e Cremilde (Custódia Gallego), duas solteironas que adoram meter-se na vida de todos e têm uma opinião sobre tudo; uma personagem misteriosa (Sérgio Praia), que chega ao Vidago no mesmo dia que os Condes de Vimeiro; Samuel Cohen (Pedro Mendonça), um viúvo que regressa todos os verões ao Vidago em memória da falecida mulher; Xenoveva, uma espanhola que fugiu à guerra, e que cuida da sua jovem sobrinha; Florian Klotz (Bruno Schiappa), um alemão devoto a Hitler que acredita que ele é a salvação da nação. E muitos outros.

Vidago Palace prevê-se mais uma fantástica aposta da RTP1, com um cenário maravilhoso e um figurino excelente e atores bastante à vontade e adaptados à época e personagem que encarnam. Pedro Barroso já não é a primeira vez que surpreende como vilão, aliás, prefiro vê-lo como “mau da fita” do que como “herói” e estou ansiosa pela sua prestação. Mikaela Lupo e a Beatriz Barosa, praticamente duas novatas, prometem dar que falar. Uma salva de palmas para Maria Henrique e para Custódio Gallego, um brilhante alivio cómico. Deixaram-me em lágrimas com as suas prestações!

Mais uma vez, não posso deixar de ficar encantada por uma série portuguesa apostar no uso de diferentes línguas apoiadas por legendas, oferecendo assim mais realismo às personagens. Porque, para ser sincera, os falsos sotaques já cansavam.

Estou ansiosa pelo próximo episódio desta minissérie cheia de amores e desamores, traições, mistério, suspense. Prevê-se uma luta pela liberdade de classes e pela igualdade. Uma luta à qual estou disposta a assistir.

Beatriz Pinto