Classificação

9.7
Interpretação
8.7
Argumento
9.2
Realização
9.3
Banda Sonora

Temporada: 4

Número de episódios: 8

(Atenção: a review pode conter spoilers!)

A Hulu tem disparado em todas as direções para conseguir fazer frente à concorrência. Pelo comando de Rob Thomas, anos depois, Veronica Mars está de regresso.

Kristen Bell volta à personagem que a fez nascer como atriz. A 4.ª temporada segue a mesma premissa, em que Veronica agora vive com Logan (Jason Dohring) e trabalha juntamente com o pai a fazer aquilo que mais gosta: ser detetive privada. Keith (Enrico Colantoni), agora já mais debilitado fisicamente, continua a ter a sua veia mais perspicaz e apurada, complementando Veronica nesta jornada.

O caso dominante da temporada incide quando Neptune, um destino onde os jovens passam as férias da Páscoa, é alvo de bombardeamentos em locais públicos e a Mars Investigations é contratada por um familiar de uma das vitimas para desvendar o sucedido. Ao fim de oito episódios descobrimos realmente quem está por detrás destas barbaridades e, spoiler alert, it’s the pizza guy! Posso garantir que mesmo no fim nunca pensei que fosse ele. Havia qualquer coisa de tão normal no personagem que não permite perceber que se trata de um autêntico vilão e isso é, sem dúvida, o melhor desta temporada.

Wallace (Percy Daggs III) casou, tem um filho e é um pai de família  que aparece poucas vezes ao longo desta 4.ª temporada. Deixou-me a chorar por mais, pois fizeram falta mais momentos dos melhores amigos Veronica&Wallace. Leo (Max Greenfield) faz parte do FBI e está em Neptune para descobrir o verdadeiro bombista. Cliff (Daran Norris) continua o melhor advogado de sempre e tem uma cadela chamada Mrs. Sobre Dick Casablancas (Ryan Hansen) posso dizer agora que é ator e continua um Dick e que o pai perde literalmente a cabeça. Eli ‘Weevil’ Navarro (Francis Capra), depois de uma suposta vida estabilizada, retorna ao mundo do crime. E, por fim, temos Logan (Jason Dohring), querido, eterno Logan. Faz parte dos serviços secretos da marinha e acaba por ter uma vida dupla sem saber quando pode ser chamado ao serviço, sem poder partilhar com Veronica onde está.

Quanto a novas personagens irei apenas destacar Matty (Izabela Vidovic) e Nicole (Kirby Howell-Baptiste). Matty era filha de uma vítima da primeira bomba. Penso que era suposto ser uma versão de mini Veronica, mas pouco ou nada convenceu, acabou por ser uma personagem que não fazia muita falta à série. E depois temos Nicole, uma bartender que sofreu nas mãos de um homem e que se torna amiga de Veronica até Veronica deixar cair por terra essa relação. Nicole foi, sem dúvida, a “nova cara” que mais se destacou nesta temporada, não descurando a nova chefe da polícia, Marcia Langdon (Dawnn Lewis), onde há uma clara evolução desde Don Lamb (Michael Muhney). Esta temporada também nos trouxe Clyde Pickett (J. K. Simmons), um ex prisioneiro que serviu tempo com o pai de Dick e que acaba por ser aquele tipo de personagem que tanto pode ser bom como mau, nunca sabemos o que esperar dele.

É importante mencionar que a relação #LoVe nesta temporada é um vai/não vai, estão bem, mas não totalmente bem, e quando se torna espetacular, “puff, fez-se o Chocapic”. É literalmente isto. Para quem ainda não viu: the internet is dark and full of spoilers!

Considero-me uma seriólica que vê de tudo um pouco (exceto séries de terror). Quando comecei nestas andanças, adorava ver CSI, Ghost Whisperer e todas aquelas séries que envolviam resolver mistérios, desvendar criminosos, that kind of thing, mas não conhecia Veronica Mars. Até que, no final do ano passado, depois de ter visto The Good Place, descobri que a Kristen Bell tinha começado em Veronica Mars e, três temporadas e um filme depois, sou fã. Sejamos sinceros para quem gosta de séries estilo policial, se VM não está na lista tem de estar rapidamente!

Tenho de confessar que não estava à espera de uma grande temporada. Posso dizer que fui bem enganada. Foi tão boa ou melhor do que as primeiras três. Uma Ovação em pé a todos os que trabalharam para trazer este êxito de volta, nem que tenha sido apenas para uma temporada final. Sim, porque depois do desfecho do último episódio não há muito mais a dizer.

Foram oito episódios de risos, suspense, intriga, curiosidade, um misto de emoções e de ânsia até ao fim (thank god for the binge watching). Foi uma autêntica temporada for the old time sake e pode e deve terminar assim.

P.S.: Veronica tem um cão e chama-se Pony! How awesome is that?

Melhor Episódio:

Episódio 3: Depois de dois bons primeiros episódios em que nos começamos a relembrar dos personagens, onde tinham ficado na história, e começamos a conhecer as novas caras da temporada, o terceiro presenteia-nos com cenas #LoVe, cenas típicas de Dick Casablancas e cenas de Veronica being Veronica. A banda sonora e todo o enredo ao longo deste episódio concedem-lhe o lugar do pódio nesta corrida.

Personagem de destaque:

Logan Echolls (Jason Dohring) – Podia ser Veronica – e se calhar deveria – porque Bell faz a série, sem sombra para dúvidas! Mas Logan, quatro temporadas, um filme e anos depois, é o personagem que mais evoluiu a todos os níveis. Ele consegue ser calmo, trabalhador, cómico e, melhor que isso, colocar Veronica na linha, o que todos sabemos não ser fácil, mas, ao longo de oito episódios, fê-lo sempre muito bem e com classe, nunca voltando ao menino mimado e a little bit crazy que era antigamente… Cresceu, viu e venceu.

Margarida Rodrigues Pinhal