Classificação

9.5
Interpretação
8.6
Argumento
9
Realização
9
Banda Sonora

[Contém Spoilers!]

O núcleo central será sempre o núcleo central, mas de tempos a tempos, a série oferece-nos episódios dedicados a personagens que sendo secundárias, têm um enorme impacto na história principal e sobre as quais a curiosidade é fomentada a cada semana. Valeu muito a pena, dedicarem um episódio a Beth e à sua família, adicionando novos actores, personagens e desempenhos de valor ao já bastante rico elenco e confirmando mais uma vez que não há papéis menores.

Até aqui conhecemos uma Beth com uma personalidade muito forte, uma mulher de armas, determinada, uma verdadeira companheira do seu marido, mas se de Randall conhecemos bem grande parte da sua história de vida, do passado de Beth sabíamos muito pouco. A série deu maior consistência e profundidade a uma personagem muito interessante e após este episódio a personalidade e comportamentos de Beth fazem ainda mais sentido… herdou muito dos seus pais e dos desafios e marcos que a vida lhe colocou no caminho: se por um lado já vimos a faceta doce e sonhadora que sabemos agora ser do seu pai, conhecemos também um lado rigoroso, disciplinado e algo frio e calculista, traços que nos foram apresentados num desempenho extraordinário de Phylisia Rashad (atriz que desconhecia, mas que não deverá ter deixado muitos espectadores indiferentes). Com uma presença sempre consistente e imponente, deu-me a sensação que já conhecia esta personagem de há muitos episódios.

De facto, o casting desta série é sempre um ponto que vale a pena elogiar, e essencialmente por dois aspectos: em primeiro lugar porque é cuidadoso e criterioso, trazendo sempre actores que adicionam efectivamente valor e qualidade à série com as suas prestações, e em segundo lugar porque os actores/actrizes escolhidos para desempenhar a mesma personagem em diferentes fases da vida dessa personagem encaixam em perfeita harmonia. Beth é mais um exemplo de um excelente trabalho nesse aspecto.

O episódio dá-nos a conhecer outro importante factor que contribui para o lado mais frio e transtornado de Beth com uma grande injustiça, que faz parte da vida! Mas a adversidade foi o principio de uma mudança de rumo que proporcionou o encontro com o amor da vida de Beth. Influências do destino, coincidências ou ordem natural do mundo? A verdade é que esta viagem fez Beth reviver muito do seu passado e há muito de bom a recordar, e sonhos que ficaram por cumprir, mas nunca é tarde!

No meio de tudo isto, Zoe esteve meio perdida no episódio tendo sido, quanto a mim, o elemento mais fraco do mesmo, mas serviu o seu propósito de contribuir para o contexto familiar a ser descortinado.

Os pais de Beth foram realmente duas boas personagens a serem introduzidas e gostava de os voltar a ver, nem que fosse em flashbacks. Quanto a Beth, espero que esta viagem marque o inverter de uma espiral negativa e a entrada numa nova fase, mais otimista e luminosa, se bem que as sugestões sobre o futuro possam contrariar esse desejo.

André Borrego