Classificação

9.2
Interpretação
8.7
Argumento
9
Realização
9.2
Banda Sonora

Com alguns percalços que atrasaram a emissão desta segunda parte, aí está Songbird Road: Part II, um episódio de pequenos passos sustentados por fortes valores de família, embrenhados num novo regresso ao passado com boas e más memórias a virem ao de cima e com consequências verdadeiramente impactantes.

Foi um episódio que juntou dois personagens que geralmente têm uma relação complicada e algo distante: Kevin e Rebecca – a par de Nick, tomaram as rédeas do decurso dos acontecimentos. Facilmente nos recordamos de cenas entre Jack e Kate, entre Jack e Randall, facilmente nos recordamos de cenas entre Rebecca e Kate ou Randall… cenas entre Rebecca e Kevin são mais escassas, mas quando ocorrem costumam ser pertinentes e especiais. Esta semana tivemos finalmente Mandy Moore de volta às grandes prestações, mas não há dúvida de que Kevin tem sido a surpresa da temporada, tendo “roubado” muito do protagonismo conquistado pelos irmãos.

A determinação “típica de Jack” que Kevin apresentou em toda esta jornada foi inspiradora e teve pequenos resultados naquele que pode ser o início da recuperação e redenção de Nick. Mas mexer no passado e em questões tão traumáticas tem geralmente um peso. Estou a gostar cada vez mais da pessoa que Kevin se tem vindo a tornar e teria muita pena que a consequência da sua generosidade fosse perder-se pelos caminhos onde Nick e Jack se perderam, aprisionaram e atormentaram por demasiado tempo.

Finalmente, o episódio teve um marcante regresso ao passado, ao passado imediatamente após o último encontro de Jack com o irmão, um encontro que também deixou marcas evidentes em Jack nos dias que se seguiram. This is Us “joga” imenso com memórias e as memórias são de facto algo de curioso, pois tendemos a recordar o que mais nos marca, quer pela positiva, quer pela negativa. Randall tinha uma má memória desse dia, era o dia em que o pai estava estranho e reagira atipicamente aos seus comportamentos. Já Kate lembrava-se desse dia como “o dia da batalha das purpurinas” – um daqueles momentos verdadeiramente “Pearson” em toda a sua essência. Outra aspecto das memórias claramente expresso neste episódio é o quanto elas são guardadas nos locais onde ocorrem. O poder que um “sítio” tem em reactivar sensações e lembranças passadas, por mais diferente que esse sítio possa estar, é algo de surpreendente.

Com esta sequência noto que os regressos ao passado começam a ficar condicionados, a atriz que desempenha a “menina” Kate está a mudar, as diferenças desde que a vimos pela última vez em cena são já evidentes e será cada vez  mais difícil voltar mais atrás do que este momento durante muito mais tempo…

De um modo geral foi um bom episódio, denso em emoções, mas ao semicerrar um arco que foi o centro desta temporada, fica no ar a dúvida sobre o rumo que a série tomará para os restantes episódios deste ano. Eu apontaria ao futuro, tempo que visitámos brevemente e que deixou muitas questões no ar. Qual será a próxima cartada dos argumentistas desta série maravilhosa?

André Borrego