Classificação

8.8
Interpretação
9.4
Argumento
9.9
Realização
9.0
Banda Sonora

O episódio desta semana de This Is Us vale por si só, poderia muito bem ser um filme ou pelo menos o princípio de um. Claro que o contexto e perfil que nos foi traçado de Jack só contribui para tirarmos o máximo proveito da produção desta semana. O nome do episódio diz muito: é altura de conhecer uma importante parte da vida de Jack e presenciarmos o local e momento mais falado dos últimos tempos, as cenas mais antecipadas: “Bom dia, Vietname”!

Voltámos a uma fórmula que já originou bons episódios no passado, com a ação centrada num só núcleo, contando uma só história. Jack está sempre presente, mas não é exatamente o foco dessa história. O foco é o seu irmão Nick e a história é curiosamente contada de trás para a frente, o que traz uma dinâmica distinta ao episódio.

Jack Pearson, cada vez mais para mim, é uma das personagens mais bem escritas da televisão e cada novo momento só adiciona mais sentido e credibilidade à sua passagem e valores. Sabemos da sua generosidade, do amor pelos seus, da sua capacidade de se sacrificar em detrimento de quem gosta. Já o víramos com Rebecca e os três filhos, mas esses valores vêm de trás, dificilmente herdados tendo em conta a linhagem que nos vai sendo apresentada com um pai e avó completamente detestáveis. Foram adquiridos com o que a vida o fez passar. Por outro lado, conhecemos os seus conflitos internos – grande parte do que é Jack na sua idade adulta (com Rebecca e os filhos), para o bem e para o mal, tem uma grande marca e influência do seu passado e, em particular, da experiência no Vietname.

Assistir ao contar da história do final para o princípio criou uma geração de porquês com resposta à vista, cena após cena, à medida em que recuávamos desde o encontro dos irmãos na guerra, até ao momento do nascimento de Nick, passando por sucessivos exemplos de uma relação de constante proteção, típica de irmão mais velho, e essencialmente de um excelente irmão, inclusivamente apelidado de Clark Kent por Nick, que claramente o vê como um ídolo e um “porto de abrigo”. E tem razões para isso. O mundo precisa de mais Jacks Pearsons, mas gosto de acreditar que eles andam por aí, a melhorar o mundo, um gesto de cada vez.

Mas a história não começou exatamente no fim e, assim sendo, ainda podemos esperar mais desenvolvimentos neste capítulo. Inclusivamente, a série prepara-se para ligar estes momentos ao presente de Kevin, que procura respostas sobre o passado do pai na guerra. Se estão recordados do episódio da semana passada, com certeza ter-se-ão apercebido que o ex-soldado de guerra a quem Kevin enviou uma carta é o mesmo com quem Jack vive uma cena de grande tensão sob ameaça de fogo inimigo no Vietname neste mesmo episódio, Don Robinson.

Uma nota curiosa, totalmente alheia à produção deste episódio, foi o facto do mesmo ter ido para o ar, na televisão portuguesa, precisamente a 18 de outubro, a data de nascimento de Nick, que significou tanta alegria para a sua família, mas que acabaria por ditar a sua falta de sorte naquele recrutamento ao estilo de um “Loto” perverso com muito a perder e pouco a ganhar.

Há muito a elogiar neste episódio, que teve uma produção cuidada, uma narrativa irreverente, uma fotografia digna de nota, banda sonora ao nível e acima de tudo algo que está sempre bem presente em This Is Us, valores louváveis e inspiradores embrulhados em experiências de vida marcantes, destacando nesta semana em particular a camaradagem, a coragem, a generosidade e sacrifício e o amor de irmãos. Num cenário de guerra, de sangue, de perda e tristeza, a série conseguiu ainda oferecer-nos uma mensagem de esperança, ressalvando ao que de melhor aqueles soldados se podiam agarrar para aguentar a sua árdua tarefa. Mais uma semana que merece notas a rebentar a escala!

André Borrego