Classificação

7.5
Interpretação
4
Argumento
8
Realização
5
Banda Sonora

The Society é mais um orginal Netflix, que se desenrola à volta de um grupo de adolescentes que se vê preso na sua cidade natal, ou o que assim parece ser, sem qualquer comunicação com o exterior.

O primeiro episódio começa por nos apresentar as personagens principais nas suas vidas normais. Percebemos quem é quem e que existem as rivalidades normais que existem entre os adolescentes. Logo de início, percebemos que há alguma coisa que não bate certo. Um cheiro horrível, que, apesar de já ter desaparecido, voltou a infestar a cidade. Os responsáveis da cidade asseguram que vão ser feitos testes, mas que o cheiro não é prejudicial à saúde. A juntar a este cheiro misterioso, aparece ainda uma personagem bastante duvidosa e um escrito bíblico na parede.

Todos os alunos da escola partem, nessa noite, para uma excursão às montanhas, onde deverão ficar uns dias. Vemo-los a despedirem-se dos familiares, a entrar nos autocarros e a partirem para o respetivo destino. A meio da viagem, vemos que todos, mas mesmo todos, adormecem (um bocado estranho, diria eu). Quando por fim, os autocarros param, estão de novo em West Ham. O motorista diz que houve um deslizamento de terras e que, por essa razão, estão de volta a casa. E é neste momento que as coisas começam a ficar mais estranhas ainda. Voltaram, mas não há ninguém para os ir buscar. Os familiares não foram avisados? E os motoristas partem nos autocarros sem se preocuparem com os jovens e vão para onde, se a cidade não tem saída? A verdade é que, no decorrer do episódio, não voltamos a saber deles. Os jovens vão descobrindo que estão completamente sozinhos e que não há comunicação para o exterior, e o caos instala-se. É necessário manter a ordem e para isso é preciso um líder, mas não será fácil fazer com que todos obedeçam a uma só voz e as disputas começam, deixando aqui o mote para os próximos episódios.

The Society parece ser mais uma série igual a tantas outras séries pós-apocalípticas em que quase toda a população morre ou desaparece e apenas um grupo de adolescentes sobrevive. Mais uma vez, o grupo terá de aprender a viver uns com os outros e, para isso, será importante o estabelecimento de regras e também de uma hierarquia. Penso que a série se irá focar na forma em como cada um vai lidar com a situação, a autoridade e de como irão mudar as relações já estabelecidas entre algumas das personagens. Por exemplo, no início vemos Kelly Aldrich (Kristine Froseth) e Harry Bingham (Alex Fitzalan) como um casal de namorados feliz, mas ao longo do episódio vamos recebendo pistas de como esta relação irá certamente deteriorar-se ao longo da série.

Além do tema, uma das razões por que comecei a ver a série foi por causa da atriz Kathryn Newton, conhecida pelos seus papéis em Supernatural Halt and Catch Fire. Tenho seguido a carreira da atriz e penso que ela tem um futuro promissor na representação, por isso estava bastante curiosa por vê-la numa série em que tivesse mais protagonismo. Gostei bastante do seu desempenho neste episódio, assim como o de Froseth (The Truth About The Harry Quebert Affair). Ambas as atrizes se destacaram num elenco bastante jovem e que surpreendeu, pois não estava à espera que os atores, quase todos eles meus desconhecidos, conseguissem ter o desempenho que tiveram. Há espaço para melhorar, sem dúvida, mas foram uma surpresa pela positiva, visto que as minhas expectativas estavam bastante baixas. Gostei que tivessem incluído uma personagem surda-muda, Sam Eliot, interpretado por Sean Berdy, também ele surdo-mudo na vida real. Apaixonei-me pela personagem e estou bastante curiosa para ver como se vai desenvolver ao longo dos episódios. É sempre importante quando uma série, um filme ou um livro incluem este tipo de personagem (deficientes, minorias, etc.), pois é importante que as pessoas tenham a noção de que estas pessoas fazem parte da sociedade e que não devem, de maneira nenhuma, ser excluídas da mesma.

Achei bastante inteligente o pormenor na cena em que o Harry e a Kelly estão no escritório da casa dele e na estante de livros está a saga Twilight, uma saga que a grande maioria dos adolescentes leu e que ainda hoje guarda os livros nas suas prateleiras, eu incluída. Estes livros/filmes irão fazer sempre parte desta geração, independentemente do que achemos dela agora que já somos mais crescidos, e faz todo o sentido que as personagens da série também tenham lido os livros.

Resumindo, não creio que a série traga nada de novo ao género e o episódio piloto apesar de não ter sido mau, também não agarrou como devia ter agarrado. As caras bonitas são capazes de agarrar o público mais jovem, mas tenho muitas dúvidas se a história irá agarrar quem realmente se interessa pelo género. Contudo, como já referi, grande parte dos atores surpreendeu pela positiva e a curiosidade para saber o que realmente se passou é capaz de levar muita gente a ver a série até ao fim.

Cláudia Bilé