Classificação

10
Interpretação
7
Argumento
7
Realização
9
Banda Sonora

A Showtime estreou no passado domingo a minissérie The Loudest Voice, que nos vem dar um retrato sobre quem foi Roger Alies (Russell Crowe), produtor, fundador e CEO da Fox-News, que acabou demitido por se envolver num caso de assédio sexual com a apresentadora do canal, Gretchen Carlson (Naomi Watts).

[Spoiler alert!]

The Loudest Voice surge no panorama televisivo num contexto em que o movimento #metoo tem ganho cada vez mais força, com as suas denúncias a serem cada vez mais frequentes (e ainda bem!) e assumindo-se como um tema cada vez mais presente nos produtos televisivos que chegam até nós. Usando esta faceta, que resultou na queda de Roger Alies, a Showtime aproveitou para apresentar um minissérie sobre a vida de um homem polémico, que chegou a ser conselheiro para a área dos media de alguns presidentes norte-americanos.

Confesso-vos que estava com grandes expectativas sobre esta minissérie. O tema do assédio sexual é atrativo e está na moda, trata-se de uma biografia, o que me agrada particularmente e todo o elenco é cheio de atores consagrados, tendo à cabeça Russell Crowe, vencedor de um Óscar, como Roger Alies e Naomi Watts como Gretchen Carlson, sendo ingrediente mais do que suficientes para me fazer ter imensa vontade de espreitar este produto. Mas será que correspondeu às expectativas?

A resposta é “nim”. Mas comecemos pelo sim. A focalização na personagem principal faz brilhar Crowe. A transformação e interpretação com que o ator nos presenteia é de facto aquilo que mais se destaca no episódio. Desde a caracterização da personagem, a transformação física que é significativa, até aos pequenos pormenores, como aquele andar meio estranho, está tudo num nível bastante elevado. Ao ponto de ofuscar completamente todo o elenco secundário que conta com nomes como Sienna Miller (Beth Alies), Seth MacFarlane (Brian Lewis), entre outros. Não quero dizer que não estejam a um bom nível, mas a sensação com que ficamos depois destes minutos é que apenas vimos Crowe atuar, e que o resto pouco ou nada importou.

A acompanhar a grande interpretação de Crowe destacou-se ainda neste episódio piloto a banda sonora e a caracterização usada para nos transmitir que estamos no ano de 1994. Não se descuidaram em nenhum pormenor e rapidamente nos esquecemos que já passaram 25 nos desde a época retratada. Quanto à banda sonora, utilizaram temas que se referem sobretudo ao poder da televisão o que acompanha bem, sobretudo se tivermos em conta, que a história deste primeiro episódio gira à volta de como Alies montou a Fox-News.

Contudo, e pela parte negativa, está demasiado centralização numa só personagem, o que leva a um desgaste durante o episódio. Somos apresentados as várias facetas de um homem bastante polémico, manipulador, sedutor, prepotente, exigente, mas que os produtores escolheram apresentar demais durante o episódio. Ficamos com a sensação que a personagem não terá muito para evoluir, mesmo no que diz respeito à questão do assédio, e que já vimos todas as suas facetas. Talvez os próximos episódios nos tragam mais destaque nas personagens secundárias.

The Loudest Voice não é um mau produto, de todo. E tem todos os ingredientes e qualidades para que nos próximos episódios o nível seja ainda mais elevado. Mas precisa de apresentar mais um pouco das suas personagens secundárias para que a série não se limite apenas a Russell Crowe. Aguardemos pelos próximos episódios.

Catarina Lameirinhas