Classificação

7
Interpretação
7
Argumento
8
Realização
6.5
Banda Sonora

The Long Song é uma minissérie de três episódios, inspirada no livro com o mesmo nome, de Andrea Levy, publicado em 2010.

Assim que o episódio começa, há um aviso que nos alerta que estamos perante algo que poderá impressionar alguns espectadores. É legítimo, pois estamos perante uma série cujo tema principal é o da escravatura. A história decorre na Jamaica, que está sob o domínio britânico, no século XIX, numa altura em que os escravos negros começam a revoltar-se contra os brancos que os torturaram durante séculos.

No centro da trama está July, uma jovem negra que trabalha para uma estúpida mulher branca, tão inútil quanto irritante. Apesar da vida cruel, a nossa protagonista é uma personagem luminosa, de quem é extremamente fácil gostar, contrastando com a terrível ‘missus’, uma mulher caprichosa que não é capaz de fazer nada sozinha. Há algumas cenas engraçadas protagonizadas pelas duas. July pode ter sido vetada à condição de escrava, mas tem um espírito livre e faz o que pode para se conceder algumas pequenas liberdades e prazeres, como fazer a sua senhora esperar e apertar-lhe demasiado o vestido.

Esta é uma história de ficção sobre duas mulheres em particular, mas que se cruza com a realidade, com o percurso dos negros que procuraram libertar-se de séculos de escravatura e também com a luta de alguns brancos bons para ajudar a tornar isso possível. É a história de uma mãe que foi obrigada a abdicar da filha e a viver afastada dela, quando era pouco o caminho que as separava, é a história de outra mãe que abdicou da filha para que esta não fosse mais uma escrava, de um homem e uma mulher que só tiveram uma noite para se amarem. É a história de pessoas más que se aproveitam do seu privilégio de brancos para infernizar e subjugar outros só porque a sua pele tem um pigmento mais escuro. Pessoas que não são capazes de perceber que não seriam ninguém sem aqueles negros que consideram inferiores a elas.

The Long Song tem momentos leves, divertidos, mas é essencialmente triste, porque nenhum ser humano deveria ter que viver assim, subjugado e maltratado, sem ser dono de si mesmo. Hayley Atwell é o rosto mais conhecido do elenco, mas odiei a personagem. Tudo é extremamente irritante e absurdo em Caroline Mortimer, quase uma caricatura. Não sei se ela é apenas má ou estúpida, mas é tão pouco credível! Em 12 Years a Slave a personagem de Sarah Paulson era incrivelmente cruel e detestável, mas brilhava. Odiei-a, mas admirei o que a atriz fez com ela e não posso dizer o mesmo de Atwell. Os atores negros – que eu não conhecia – são as verdadeiras estrelas aqui.

Confesso que tive uma dificuldade a ver esta série, que se deve ao modo de falar dos personagens negros, que – sem qualquer instrução – têm um vocabulário bastante diferente daquele que estou habituada a ver na televisão e no cinema. Principalmente para pessoas que não têm o inglês como língua nativa, faz um bocadinho de confusão, mas é claro que não fazia sentido que estas pessoas falassem como ingleses criados em Londres.

Também deixo aqui o aviso: esta série não é para todos. Podem precisar de lenços de papel, mas recomendo, porque The Long Song lança a discussão sobre a escravatura e o racismo, temas que continuam a ser muito relevantes.

Diana Sampaio