Classificação

8.5
Interpretação
7
Argumento
6.5
Realização
5
Banda Sonora

Temporada: 3

Número de episódios: 10

[Pode conter spoilers]

Confesso que sinto alguma dificuldade em expressar aquilo que senti em relação a esta temporada. Aquilo que a 2.ª temporada teve de melhor perdeu-se nesta e não tivemos direito a ver muito do trio Lucca/Maia/Marissa. Como personagens mais jovens da trama, confesso que são aquelas com quem mais me identifico – até certo ponto – e tinha adorado ver o desenrolar da amizade entre as três, que aqui se perdeu um bocado.

A discussão de questões da política americana continuou presente, claro está, mas acho que não se mostrou tão relevante como tinha sido até aqui. Acho que houve demasiadas situações absurdas, como o episódio em que uma suposta Melanie Trump queria divorciar-se do marido. Houve também espaço para a discussão de questões raciais e outras prementes, com destaque para a descoberta de que Carl Reddick, o pai de Liz e um ícone dos direitos civis, tinha violado várias mulheres. Uma notícia destas mancha o legado de qualquer pessoa e de tudo o que lhe esteja associado. Foi uma forma interessante de a série abordar um tema que nunca irá perder a relevância, mas não senti que a execução tivesse sido das melhores.

A sério, e o que é que foram aqueles momentos musicais metidos ali pelo meio? Poderia ter sido engraçado se tivesse acontecido uma ou duas vezes, mas tornou-se apenas awkward. Acho que a série pecou ao tentar introduzir momentos demasiado leves numa série que, apesar de não ser propriamente muito pesada, é de alguma seriedade.

Como não quero que pareça que estou a ser demasiado crítica, não posso deixar de mencionar uma questão que aqui foi levantada: a manipulação de votos. Até me dá dores de barriga pensar que Trump pode conseguir um segundo mandato, mas oponho-me veementemente a que qualquer democrata que se preze faça o que quer que seja para roubar votos republicanos. Mesmo que o contrário tenha sido feito, a democracia não deve ser manipulada. E não vamos fingir que Trump não tem um forte apoio. Ele pode ser um tirano, mas não chegou ao poder como chegam os presidentes dos países onde não há liberdade. As pessoas votaram nele!

Não vou dizer que não gostei do que vi, mas não me senti propriamente ansiosa pelo episódio seguinte. Esperava que a série me tivesse agarrado mais ao ecrã, como já o fizera noutros tempos. Vai ter que mostrar melhorias ou então não será muita a minha vontade de continuar para além da 4.ª temporada. E, por favor, livrem-se do Roland Blum, reduzam-lhe o tempo de ecrã ou então tornem-no menos barulhento e irritante. Já que estou numa de pedidos, espero que Maia não regresse mesmo à firma da madrinha. Foi legítimo terem-na mandado embora e portanto não acho que haja lógica nenhuma em voltar a contratá-la. Lucca é quem merece saltar para o próximo degrau da sua carreira.

Melhor Episódio:

Episódio 9 – Não acho que esta temporada tenha tido um episódio especial que se destacasse por aí além dos demais, mas há sempre um ou outro que consegue sobressair um bocadinho. Neste caso, foi o penúltimo da temporada. É o episódio em que Maia volta a aparecer, depois de algum tempo de ausência. Roland Blum oferece-lhe um emprego e ela começa uma nova firma com uma colega do trabalho em que se encontrava atualmente. No entanto, apesar de em termos de narrativa de continuidade este ter sido o acontecimento mais relevante, acho que o destaque do episódio vai para o levantamento de questões morais. O grupo de resistência a que Diane e Liz pertence(ra)m fala em matar um membro da administração Trump que tinha sido responsável pela morte de umas crianças. Ele não as mandou matar nem nada assim, é mais aquela questão de uma culpa indireta relacionada com as políticas americanas atuais. Tal como Diane, Liz e todo o seu grupinho, eu odeio Trump e aquilo que o seu executivo personifica e sou capaz de já ter feito alguma piada acerca de melhores presidentes já terem sido mortos, mas, falando a sério, não acredito que matar seja a resposta. Rejeitar um discurso de ódio e depois permitirmo-nos a nós próprios abraçar a violência e derramar sangue não é o caminho. Quer dizer, até pode ser um caminho, mas é certamente o errado. Estes debates que a série proporcionou foram a minha parte preferida e este foi especialmente interessante. Novamente numa questão mais pessoal ligada com as nossas personagens e as suas relações, voltamos a ver Maia e Marissa confraternizar. As duas encontraram-se para sair, mas confissões inadvertidas de parte a parte levaram a que Maia traísse a amizade e a confiança de Marissa. Em causa estavam informações relativas aos abusos sexuais perpetrados por Carl Reddick, mas Maia não estava a travar “a boa luta” que dá nome à série, estava sim a juntar ‘munições’ para retaliar contra a antiga firma.

Personagem de destaque:

Diane Lockhart – Ela era a minha favorita em The Good Wife e aqui continua a ser também uma das minhas preferidas, mas, favoritismos à parte, acho que não fazia muito sentido escolher qualquer outra personagem. Ela tem um papel muito importante ao longo de toda a temporada, quer através do grupo de resistência a que pertence, quer dentro da Reddick, Boseman & Lockhart. Depois, a própria relação com Kurt, um assumido republicano com ligações à administração Trump, mas que é pouco fã do presidente, também nos proporciona uns momentos interessantes. Diane continua igual a ela mesma: uma presença forte e carismática com ideais com os quais me identifico.

Diana Sampaio